O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu, nesta quarta-feira (9), a quebra completa do sigilo das investigações do caso Master. Segundo o presidente, todas as informações relacionadas aos envolvidos devem ser conhecidas pela sociedade, independentemente de quem seja citado nas apurações.
Em uma publicação nas redes sociais, Lula afirmou que o Brasil precisa ter acesso à íntegra das informações e classificou o episódio envolvendo o Banco Master como o “maior crime financeiro da história do Brasil”.
“É urgente a quebra completa do sigilo das investigações de todos os envolvidos no caso Master, seja quem for, doa a quem doer. O Brasil precisa saber a verdade”, escreveu o presidente.
Lula relaciona caso Master a crise no Judiciário
Na mesma publicação, Lula associou a divulgação das informações das investigações à necessidade de enfrentar a crise institucional que, segundo ele, atingiu o Poder Judiciário.
“Diante da gravidade do maior crime financeiro da história do Brasil, o povo brasileiro precisa de explicações e medidas imediatas para enfrentar a crise institucional que tomou conta do Poder Judiciário”, afirmou.
A nova declaração amplia uma posição que o presidente já vinha manifestando desde que as investigações passaram a envolver integrantes de diferentes instituições e provocaram tensão no Supremo Tribunal Federal (STF).
No dia 3 de setembro, Lula havia defendido uma apuração “sem blindagem de ninguém” e cobrado atuação do presidente do STF, Edson Fachin, e do procurador-geral da República, Paulo Gonet, para preservar a confiança da população nas instituições.
Caso Master envolve STF, PF e PGR
A manifestação do presidente ocorre após uma sequência de revelações e disputas envolvendo integrantes do STF, a Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR).
Na terça-feira (8), a Segunda Turma do STF manteve o afastamento preventivo do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada. A decisão havia sido determinada pelo ministro André Mendonça.
Já na manhã desta quarta-feira (9), o ministro Flávio Dino determinou a reintegração dos dois integrantes da cúpula da PF. A decisão ocorreu após pedido apresentado pelo próprio Andrei Rodrigues, que argumentou que o afastamento poderia prejudicar investigações que estão sob supervisão de Dino.
Entre as apurações citadas estão uma investigação relacionada a emendas parlamentares e outra envolvendo materiais apreendidos relacionados ao filme “Dark Horse”.
A defesa de uma divulgação ampla das informações sobre o caso Master ocorre, portanto, em meio a um cenário de disputas entre órgãos de investigação e instituições do sistema de Justiça. Lula afirma que a divulgação integral dos dados é necessária para que a sociedade conheça os fatos e para o enfrentamento da crise institucional.


