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Mandetta diz que Bolsonaro ‘exonerou a ciência’ ao demiti-lo

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O ex-ministro Luiz Henrique Mandetta afirmou neste domingo (26), em live organizada pelo Movimento Brasil Livre (MBL), que o presidente Jair Bolsonaro bateu de frente com a ciência durante sua gestão na pasta da Saúde e que o que o presidente “exonerou” foi a própria ciência, e não o ministro Mandetta.

Mandetta deixou o Ministério da Saúde no último dia 16, após várias divergências públicas com Bolsonaro sobre o isolamento social. O anúncio da saída do ministério foi feito pelo ex-ministro por uma rede social. No lugar de Mandetta, Bolsonaro nomeou o oncologista Nelson Teich para a pasta.

Enquanto Mandetta sempre defendeu as medidas para contenção da velocidade do contágio da Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, Bolsonaro sempre criticou o isolamento social e o fechamento de serviços devido aos impactos para a economia. Em meio às divergências, Mandetta chegou a dizer que a população não sabe “se escuta o presidente ou o ministro” da Saúde.

“Ele [Bolsonaro] resolveu substituir o ministro, não o Luiz Henque Mandetta, mas acho que ele exonerou ali a ciência, que nós estávamos tentando seguir”, afirmou Mandetta na live deste domingo.

“A meu ver, em um determinado momento, ele entendeu que as implicações econômicas seriam deletérias, mais duras, para as pessoas do que as implicações de saúde. Aí, ele começou a tomar uma série de atitudes públicas que se chocavam com a maneira como o Ministério da Saúde estava se conduzindo”, declarou o ex-ministro.

“Nós fizemos o nosso ministério em cima de três pilares no coronavírus: uma defesa intransigente da vida, uma defesa intransigente do SUS e uma defesa intransigente da ciência. O comportamento do presidente bateu de frente com a ciência, com o SUS e com a vida. Aí, ficou impossível porque eu não podia sair das minhas prerrogativas e ele não podia sair das dele”, completou.

Bolsonaro nas ruas

Mandetta havia reforçado, em suas últimas semanas no ministério, a necessidade de isolamento para toda a população e reafirmou que as recomendações e determinações do Ministério da Saúde seguem parâmetros científicos e da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Em três ocasiões diferentes, Bolsonaro saiu por ruas de Brasília e cumprimentou apoiadores, mantendo contato físico e descumprindo as orientações dadas por Mandetta e pelas autoridades internacionais de saúde.

“Ali [a exoneração] foi mais uma opção de mudar o perfil, mudar a coordenação, mudar a maneira que estava falando. De repente, o ministério da saúde estava falando muito. Nós ficamos no ar quase 60 dias e eu acho que isso daí em um determinado momento foi tudo misturando e ele resolveu ter um ministério mais coadjuvante da Casa Civil”, afirmou Mandetta na live.

Leia mais:
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*Reportagem do G1

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