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Aneel abre testes de energia em áreas remotas da Amazônia

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Novo ambiente regulatório permitirá experimentar sistemas de geração, armazenamento, tarifação e gestão comunitária na Amazônia Legal

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou, na última terça-feira (15), as regras para testar novos modelos de energia em áreas remotas da Amazônia. A medida poderá beneficiar indígenas, quilombolas, ribeirinhos, agricultores familiares e outras comunidades tradicionais.

Os projetos serão desenvolvidos no Sandbox Regulatório Energias da Floresta, ambiente temporário e supervisionado pela agência. A proposta é experimentar soluções de fornecimento de eletricidade adaptadas às condições e às práticas culturais das populações atendidas.

Segundo a Aneel, a iniciativa busca contribuir para a universalização do acesso à eletricidade no Brasil. Atualmente, o serviço está presente em 99,8% das moradias do país.

Energia em áreas remotas da Amazônia terá novos modelos

O sandbox poderá receber projetos de geração descentralizada, armazenamento de energia, utilização coletiva e produtiva da eletricidade e novas formas de faturamento e tarifação.

A atuação de agentes comunitários de energia também poderá ser avaliada. Os projetos deverão reconhecer os conhecimentos, os valores culturais e as formas de organização das comunidades participantes.

Entre as possibilidades previstas estão a ampliação gradual dos Sistemas Individuais de Geração de Energia Elétrica com Fonte Intermitente (SIGFI) e dos Microssistemas Isolados de Geração e Distribuição de Energia Elétrica (MIGDI).

Também será possível testar a transição desses sistemas para a distribuição convencional, além da cessão, do compartilhamento, da transferência ou da remuneração de estruturas energéticas instaladas por comunidades e outros agentes.

Esses sistemas poderão, eventualmente, ser incorporados à Base de Remuneração Regulatória das distribuidoras.

Projetos terão financiamento do programa da Aneel

As experiências serão fomentadas pelo Programa de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PDI), administrado pela Aneel. A regulamentação também permite a utilização de outras fontes de recursos previstas na norma.

As regras estabelecem critérios para a entrada e a saída dos projetos e medidas de proteção aos participantes, às comunidades, aos territórios e ao meio ambiente. Também estão previstas exigências de transparência e comunicação em linguagem simples.

Antes da seleção dos povos e das comunidades tradicionais, deverá ser realizada consulta livre, prévia e informada.

O Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA) e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) estão entre as instituições que já participam da iniciativa.

Comunidade poderá colaborar com os sistemas de energia

O novo modelo regulatório cria a figura da comunidade energética. Por meio desse arranjo, famílias, organizações comunitárias, povos e comunidades tradicionais poderão participar do planejamento, da governança e da gestão dos serviços de energia.

Depois da autorização do projeto, os moradores poderão colaborar no monitoramento, na operação e na manutenção da infraestrutura.

A participação comunitária não substituirá a distribuidora nem transferirá aos moradores a responsabilidade pela prestação do serviço público.

Governança reunirá poder público e sociedade civil

A Aneel deverá instituir, por meio de ato específico, uma estrutura de governança colaborativa para conduzir o Sandbox Energias da Floresta.

O modelo reunirá representantes de órgãos públicos, empresas do setor elétrico, instituições de ensino e pesquisa, organizações da sociedade civil, desenvolvedores de soluções e comunidades participantes.

O grupo apoiará a seleção, a coordenação, o acompanhamento e a avaliação dos projetos-piloto. Também será responsável por organizar dados, administrar riscos e sistematizar os resultados.

A regulamentação foi aprimorada durante a Consulta Pública nº 2/2026, que recebeu 338 contribuições de 53 participantes. A Aneel informou que 82% das manifestações foram aproveitadas integral ou parcialmente.

A agência também ouviu representantes de povos e comunidades tradicionais em uma oficina realizada com a Escola Nacional de Administração Pública (Enap). Outro seminário reuniu 170 participantes de entidades públicas e privadas, universidades, concessionárias, organizações não governamentais, bancos de fomento e associações comunitárias.

Legislação permite experiências regulatórias

Os sandboxes regulatórios foram autorizados pela Lei Complementar nº 182/2021, que instituiu o marco legal das startups e do empreendedorismo inovador.

Esse mecanismo permite que órgãos públicos criem condições temporárias para testar tecnologias, técnicas e modelos de negócios antes da adoção definitiva de novas normas.

No setor elétrico, empresas, pesquisadores e outras instituições poderão desenvolver projetos experimentais dentro dos critérios e dos limites estabelecidos pela Aneel.

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