O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira (30), durante a 68ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul, em Assunção, no Paraguai, que pretende disputar um novo mandato nas eleições deste ano para preservar a democracia brasileira. Na mesma ocasião, o petista defendeu o fortalecimento do bloco sul-americano e afirmou que “ninguém é dono da América do Sul”.
A declaração foi feita durante um discurso de improviso, após a apresentação oficial da posição brasileira na reunião. Lula argumentou que a integração regional precisa ser fortalecida independentemente das mudanças de governo em cada país e destacou o Mercosul como instrumento de estabilidade em um cenário de crescente polarização política.
“Vou concorrer às eleições para garantir que o país se mantenha como um país democrático”, afirmou o presidente.
Mercosul deve superar disputas ideológicas
Ao abordar os desafios da integração regional, Lula defendeu que o Mercosul continue avançando sem depender das mudanças políticas nos países-membros. Segundo ele, a continuidade das instituições do bloco é fundamental para ampliar sua relevância econômica e estratégica.
“O Mercosul não pode funcionar de acordo com a eleição deste ou daquele presidente. Senão, nunca teremos um bloco forte funcionando”, declarou.
O presidente também afirmou que, independentemente do resultado das eleições brasileiras, a integração regional deve permanecer como prioridade. Para isso, pediu aos demais líderes empenho para fortalecer os mecanismos institucionais do bloco durante os próximos meses.
Criado em 1991, o Mercosul reúne atualmente Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Bolívia como membros plenos, tendo como principal objetivo ampliar a integração econômica, facilitar o comércio e estimular a livre circulação de bens e serviços entre os países participantes.
Reeleição e democracia
Durante o encontro, Lula também voltou a mencionar as ameaças enfrentadas pelas democracias ao redor do mundo. Sem aprofundar o tema, lembrou das tentativas de golpe registradas em diferentes países, incluindo o Brasil, e associou sua futura candidatura à defesa das instituições democráticas.
O presidente buscará um quarto mandato no Palácio do Planalto. A expectativa é de que a disputa eleitoral tenha como um dos principais adversários o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato ao cargo.
PIX regional e cooperação tecnológica
Além dos temas políticos, Lula apresentou propostas voltadas à integração econômica do Mercosul. Entre elas está a criação de um sistema regional de pagamentos inspirado na tecnologia do PIX brasileiro.
Segundo o presidente, a iniciativa poderá reduzir custos nas transações entre os países, estimular operações em moedas locais e diminuir barreiras comerciais dentro do bloco.
Lula também defendeu o compartilhamento de experiências em inteligência artificial como forma de ampliar a cooperação tecnológica entre os países sul-americanos.
Minuto de silêncio pelas vítimas na Venezuela
Antes do início das discussões, os chefes de Estado realizaram um minuto de silêncio em homenagem às vítimas dos terremotos que atingiram a Venezuela na última semana. A iniciativa foi proposta por Lula.
De acordo com os números oficiais divulgados nesta terça-feira, o desastre já provocou 1.719 mortes, enquanto milhares de pessoas permanecem desaparecidas ou desalojadas.
Ao comentar a tragédia, o presidente brasileiro defendeu a criação de um fundo regional para resposta a desastres naturais e adaptação às mudanças climáticas, classificando a proposta como estratégica para ampliar a capacidade de reação dos países da América do Sul diante de eventos extremos.
A reunião do Mercosul contou com a presença dos presidentes Santiago Peña, do Paraguai; Yamandú Orsi, do Uruguai; José Antonio Kast, do Chile; e Daniel Noboa, do Equador. O presidente argentino, Javier Milei, não participou do encontro e foi representado pelo chanceler Pablo Quirino.


