Fabricantes oferecem programas que reduzem os gastos com Ozempic, Wegovy, Mounjaro, Ozivy, Poviztra e outros medicamentos
As canetas emagrecedoras estão entre os medicamentos mais procurados para o tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2. Além de ajudarem no controle da glicemia, algumas dessas terapias podem proporcionar uma redução superior a 20% do peso corporal, dependendo do princípio ativo, da resposta do paciente e do acompanhamento médico.
O custo elevado, no entanto, continua sendo uma das principais barreiras para o tratamento. Uma única caixa pode ultrapassar R$ 3 mil, especialmente nas apresentações com doses mais altas.
Para facilitar o acesso, farmacêuticas disponibilizam programas de benefícios com descontos nas compras realizadas em estabelecimentos participantes. Há condições especiais para os primeiros meses de uso, pacotes com diferentes doses e preços reduzidos no comércio eletrônico.
A participação geralmente exige prescrição médica e cadastro no site da fabricante. Os valores podem variar conforme a farmácia, o estado e os impostos aplicados sobre cada produto.
Canetas emagrecedoras disponíveis no mercado brasileiro
Os medicamentos popularmente conhecidos como canetas para emagrecer utilizam princípios ativos como semaglutida, liraglutida e tirzepatida. Nem todos, porém, possuem indicação em bula para o tratamento da obesidade.
A Novo Nordisk comercializa o Wegovy, indicado para controle crônico do peso, e o Ozempic, desenvolvido para pacientes com diabetes tipo 2.
A Eurofarma, em parceria com a farmacêutica dinamarquesa, oferece o Poviztra e o Extensior. Ambos são produzidos com semaglutida, mas possuem indicações e apresentações diferentes.
A EMS lançou o Ozivy, também à base de semaglutida e aprovado inicialmente para diabetes tipo 2. A empresa já comercializa o Lirux e o Olire, feitos com liraglutida.
Entre os medicamentos à base de tirzepatida, a opção autorizada no Brasil é o Mounjaro, da Eli Lilly. O produto está disponível em seis concentrações.
A escolha do medicamento e da dose deve ser feita por um profissional de saúde. Quando o remédio é prescrito para uma finalidade diferente da indicação aprovada em bula, o tratamento é considerado off label.
Ozivy tem desconto nos três primeiros meses
A EMS oferece condições especiais para o Ozivy por meio do programa Vida + Leve. O medicamento chegou às farmácias com preços a partir de R$ 452, aproximadamente 30% abaixo do valor médio do Ozempic original, segundo os dados divulgados no lançamento.
Pacientes cadastrados podem comprar o pacote correspondente aos três primeiros meses por R$ 863,23. O valor representa um gasto médio mensal de aproximadamente R$ 287 durante o período promocional.
Após os três meses iniciais, a caneta de 1 mg será comercializada por R$ 498 dentro do programa.
Os primeiros mil pacientes cadastrados também terão acesso a acompanhamento nutricional. Para receber os benefícios, é necessário realizar uma avaliação médica, apresentar uma receita válida e preencher o cadastro no portal da iniciativa.
O Ozivy possui indicação em bula para diabetes tipo 2. A utilização para obesidade pode ser recomendada pelo médico fora da indicação original, conforme as características clínicas de cada paciente.
Eurofarma diminui valores de Poviztra e Extensior
O programa EuroCuida passou a oferecer descontos de até 48% para algumas apresentações do Poviztra e do Extensior.
No tratamento com Poviztra, o kit formado por uma caixa de 0,25 mg e outra de 0,5 mg custa R$ 590. As duas apresentações são normalmente utilizadas durante a fase inicial de adaptação ao medicamento.
Para o terceiro mês, a caixa de 1 mg teve o preço reduzido de R$ 599 para R$ 309. Dessa forma, o custo dos três primeiros meses passa de R$ 1.198 para R$ 899.
O programa também permite a compra separada das apresentações. A dose de 0,25 mg caiu de R$ 744 para R$ 445, enquanto a de 0,5 mg passou de R$ 819 para R$ 445. Já a caneta de 1 mg teve o preço reduzido de R$ 849 para R$ 490.
No caso do Extensior, o gasto calculado para os três primeiros meses diminui de R$ 998 para R$ 708.
A caneta com doses de 0,25 mg e 0,5 mg passa de R$ 819 para R$ 445. A apresentação de 1 mg, por sua vez, cai de R$ 849 para R$ 490.
A Eurofarma informou que avalia ampliar o programa para outras doses, mas ainda não apresentou um cronograma.
NovoDia oferece Ozempic e Wegovy com preços menores
A Novo Nordisk mantém o Programa NovoDia, que reúne benefícios e descontos para medicamentos selecionados. Os menores preços são aplicados às compras online.
No caso do Wegovy, as apresentações de 0,25 mg, 0,5 mg e 1 mg custam, respectivamente, R$ 899, R$ 975 e R$ 999 no comércio eletrônico. Sem o programa, cada uma pode chegar a R$ 1.314.
A dose de 1,7 mg é vendida por R$ 1.399, ante R$ 1.969 sem o benefício. Já a versão de 2,4 mg custa R$ 1.749, enquanto o preço fora do programa chega a R$ 2.532.
Para o Ozempic, a caneta com doses de 0,25 mg e 0,5 mg sai por R$ 975 no e-commerce. A apresentação de 1 mg custa R$ 999. Sem os descontos, ambas podem alcançar R$ 1.314.
Nas farmácias físicas, os preços do Ozempic ficam em aproximadamente R$ 1.075 e R$ 1.099, respectivamente. No caso do Wegovy, a diferença entre o valor online e o praticado nas lojas varia entre R$ 50 e R$ 100.
Mounjaro custa a partir de R$ 1.422 com benefício
A Eli Lilly oferece preços especiais para o Mounjaro pelo programa Lilly Melhor Para Você. Cada caixa contém quatro aplicadores.
No comércio eletrônico, a dose de 2,5 mg custa R$ 1.422,52. As demais apresentações são vendidas por R$ 1.779,43 na dose de 5 mg, R$ 2.299 na de 7,5 mg, R$ 2.699 na de 10 mg, R$ 3.199 na de 12,5 mg e R$ 3.499 na de 15 mg.
Nas lojas físicas, os valores são de R$ 1.523,79, R$ 1.880,56, R$ 2.399, R$ 2.799, R$ 3.299 e R$ 3.599, seguindo a mesma ordem de dosagens.
O programa também disponibiliza combinações de duas caixas. O pacote de 2,5 mg e 5 mg custa R$ 2.250. O conjunto de 7,5 mg e 10 mg sai por R$ 3.998, enquanto o combo de 12,5 mg e 15 mg custa R$ 4.598.
Os preços podem mudar conforme a incidência de tributos em cada estado e as condições das farmácias participantes.
Produtos falsificados aumentam riscos do tratamento
A procura crescente por esses medicamentos também favorece a circulação de produtos falsificados, contrabandeados ou manipulados sem fiscalização adequada.
Em janeiro, uma paciente precisou ser internada após utilizar uma versão de tirzepatida comprada no Paraguai. Ela apresentou complicações neurológicas e dores abdominais.
Produtos comercializados sob nomes alternativos não possuem equivalência comprovada com o Mounjaro. Segundo especialistas, versões irregulares podem apresentar contaminação por microrganismos, toxinas ou substâncias em concentrações diferentes das informadas.
Outro problema é o transporte inadequado. Esses medicamentos precisam permanecer em condições controladas de temperatura. A interrupção da refrigeração pode comprometer a eficácia e aumentar o risco de efeitos adversos.
A recomendação é evitar ofertas em redes sociais, preços muito abaixo do mercado e vendedores que não exigem receita. Os produtos devem ser adquiridos exclusivamente em farmácias autorizadas, com orientação médica.


