O Festival de Parintins segue consolidado como um dos principais impulsionadores da economia do interior do Amazonas. A expectativa para a edição de 2026 é de que o evento movimente R$ 193,2 milhões, valor superior aos R$ 184 milhões registrados no ano passado, fortalecendo setores como turismo, comércio, hotelaria, alimentação, transporte e economia criativa.
A projeção reflete o impacto que a festa exerce sobre a atividade econômica do município, que recebe milhares de visitantes durante o período das apresentações dos bois Caprichoso e Garantido. A estimativa é de que aproximadamente 126 mil pessoas passem pela cidade ao longo do festival.
Além da movimentação financeira, a festa também deve contribuir para a geração de mais de 30 mil empregos diretos e indiretos, ampliando oportunidades para trabalhadores formais, autônomos e pequenos empreendedores.
Artesanato e pequenos negócios ganham espaço
Entre os setores beneficiados pelo evento está o artesanato, que encontra no festival uma vitrine para ampliar vendas e alcançar novos mercados. A artesã Cláudia Teixeira é um dos exemplos desse movimento.
Há mais de uma década atuando na produção de acessórios inspirados nos bois-bumbás, ela utilizou recursos do programa Crédito Rosa para investir em melhorias no próprio ateliê e ampliar a capacidade produtiva.
Segundo Cláudia, o financiamento permitiu transformar um projeto em uma estrutura mais adequada para atender à demanda crescente. Hoje, além das vendas realizadas durante o festival, os produtos continuam sendo enviados para outros estados após o encerramento da temporada.
Somente no período da festa, o ateliê comercializa entre 500 e 600 peças, resultado que evidencia o potencial econômico da economia criativa associada ao evento.
Festival aquece setor de alimentação
O aumento do fluxo de turistas também beneficia diretamente o segmento de alimentação. A empresária Vânia Bentes, que iniciou sua trajetória comercial na década de 1970, afirma que o festival representa o período mais importante do ano para muitos empreendedores locais.
Com apoio de financiamentos da Agência de Fomento do Estado do Amazonas (Afeam), ela ampliou a estrutura do negócio para acompanhar o crescimento da demanda.
“Não tem financiamento que mais ajude o empresário do que o da Afeam. Quando terminar esse, vamos fazer um bem maior. Ano que vem, no festival, vamos estar com um empreendimento ainda maior”, afirmou.
Para atender ao movimento gerado pela festa, a empresária dobra o número de funcionários contratados temporariamente. Segundo ela, o evento cria oportunidades para diversos segmentos da economia local.
“O festival é a galinha dos ovos de ouro. Existe uma expectativa muito grande e, no ramo da alimentação, dá para todo mundo ganhar”, destacou.
Governo amplia investimentos no evento
Os investimentos públicos destinados ao Festival de Parintins também têm papel importante na manutenção da atividade econômica gerada pela festa. Desde 2019, os aportes realizados pelo Governo do Amazonas ultrapassam R$ 2,4 bilhões, contemplando ações de infraestrutura, logística, segurança pública e incentivo às atividades ligadas ao evento.
Para 2026, o Estado anunciou patrocínio de R$ 10 milhões para os bois-bumbás, com divisão igualitária entre Caprichoso e Garantido. Cada associação receberá R$ 5 milhões para apoiar a produção artística e a preparação dos espetáculos.
A combinação entre investimentos públicos, empreendedorismo e crescimento do turismo mantém o Festival de Parintins como um dos principais eventos culturais e econômicos da região Norte, contribuindo para a geração de renda e o fortalecimento de diferentes cadeias produtivas no município.


