Ações coordenadas a partir de redes sociais visavam prédios públicos da capital federal no período das eleições.
Uma investigação conduzida pela Polícia Civil do Distrito Federal revelou um plano de violência organizado por extremistas com o objetivo de executar atentados no centro da capital federal durante as eleições. As apurações apontam que os suspeitos utilizavam canais no Telegram para combinar invasões a edifícios governamentais e selecionar alvos estratégicos.
Nas conversas mantidas em ambiente digital, o grupo propagava conteúdos antissemitas, misoginia e ideologia neonazista. Além disso, as plataformas eram empregadas para recrutar novos adeptos em diversos cantos do país e compartilhar táticas de confronto, direcionando discursos de ódio especialmente contra mulheres ocupantes de posições de autoridade.
Manuais e planejamento de atos violentos
A análise do material trocado entre os investigados mostrou um nível detalhado de organização. O grupo mantinha em seu poder plantas de prédios públicos localizados em Brasília, mapas detalhados da região, rotinas de treinamento tático e instruções passo a passo para a confecção de artefatos explosivos.
O objetivo do grupo era arregimentar pessoas em diferentes regiões para fortalecer a execução dos ataques e desestabilizar a ordem pública durante o processo eleitoral.
Buscas são realizadas em cinco estados brasileiros
Para interromper as atividades e colher novos elementos de prova, a Divisão de Prevenção e Combate ao Extremismo Violento (DPCEV) deflagrou a Operação Rede Interrompida. Policiais cumpriram oito mandados de busca e apreensão contra alvos com idades variando entre 19 e 31 anos.
As ordens judiciais foram executadas em endereços localizados no Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Pernambuco e Rio Grande do Sul. O foco da ação ostensiva é apreender mídias digitais e equipamentos que ajudem a determinar a extensão da rede e o nível de preparo das ações planejadas.
Segundo nota divulgada pela Polícia Civil do Distrito Federal, “as medidas cautelares têm como finalidade preservar provas digitais e materiais, apreender dispositivos eletrônicos, identificar possíveis conexões ainda desconhecidas e esclarecer o grau de organização e o estágio de desenvolvimento das ações discutidas”.


