O Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) promove nesta sexta-feira (21), em Manaus, mais uma edição do projeto “Seminários da Amazônia”. O evento terá como eixo central a dinâmica hídrica de espécimes monumentais da floresta e sua capacidade de sobrevivência frente a períodos prolongados de estiagem.
Marcado para as 16h no Auditório da Editora do Inpa (Campus 1), o encontro traz o pesquisador Paulo de Lima Bittencourt como palestrante. Ele conduzirá a exposição intitulada “Ontogenia e funcionamento de plantas: o caso da limitação hidráulica”, detalhando como o desenvolvimento vertical altera de forma direta o sistema de circulação de água na vegetação.
O peso da altura e a gravidade
O cerne da investigação reside em um questionamento inédito em florestas tropicais: o porte avantajado torna estas árvores mais vulneráveis à escassez hídrica? Conforme explica o especialista, o crescimento vertical impõe barreiras físicas severas.
A distância considerável entre o sistema radicular e a copa exige um esforço maior para o transporte de fluidos. Além disso, a força da gravidade atua diretamente sobre a coluna d’água, reduzindo o potencial hídrico nas folhas. Embora a flora conte com mecanismos compensatórios, a pesquisa busca mapear os limites dessa proteção natural diante de cenários climáticos cada vez mais desafiadores.
O tema possui relevância estratégica para a conservação global. Dados científicos apontam que cerca de metade de todo o carbono armazenado nos ecossistemas florestais da região concentra-se em apenas 1% das árvores mais altas. Compreender a resiliência dessas gigantes é vital para antecipar o futuro da bacia amazônica.
Experimentos inéditos e o impacto do CO₂
Durante a programação, Bittencourt divulgará os desdobramentos de um experimento pioneiro voltado a verificar se o sistema hidráulico dessas plantas sofre adaptações estruturais em razão do crescimento em altura.
O debate também abrangerá as projeções de aumento na concentração de dióxido de carbono na atmosfera. A pauta dialoga diretamente com as frentes de estudo do AmazonFACE, a maior iniciativa mundial de enriquecimento de CO₂ em florestas tropicais, coordenada pelo próprio Inpa. Serão avaliados os reflexos dessas mudanças na eficiência do uso da água e na vulnerabilidade hidráulica das espécies.
O evento é gratuito, aberto ao público geral e acontece de forma presencial, consolidando-se como espaço fundamental para a difusão do conhecimento científico na Amazônia.


