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Conheça o podcast feito por comunicadores indígenas do Rio Negro

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“Está no ar a 23ª edição do Áudio Wayuri, uma produção da Rede Wayuri”. É assim que inicia o boletim de Áudio Wayuri da Rede de Comunicadores Indígenas do Rio Negro, criado em novembro de 2017 com o objetivo de fortalecer a comunicação nas comunidades indígenas na área de atuação da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn), englobando três municípios: Barcelos, Santa Isabel do Rio Negro e São Gabriel da Cachoeira (AM).

Nesta última edição, a Rede fez um especial na Língua Tukano sobre a VI Assembleia Geral Eletiva da Associação das Mulheres Indígenas da Região de Taracuá – AMIRT.

Os comunicadores Lucas Matos, Marcos Menezes e Janete Alves participaram da Assembleia e fizeram a cobertura do evento na Língua Tukano. Além da avaliação das atividades e eleição da nova diretoria, foram tratados temas de interesse como a educação, saúde, sustentabilidade e fortalecimento do movimento indígena para o bem viver das comunidades e população indígena local.

Produção de informação nas línguas indígenas

Para produzir o programa, correspondentes indígenas das calhas dos rios Uaupés, Içana e Jurubaxi gravam notícias em áudio e enviam por WhatsApp e radiofonia para os editores do boletim, que vivem em São Gabriel da Cachoeira.

Aproveitando a internet pública via satélite das escolas nas Terras Indígenas, o sistema de radiofonia e compartilhando arquivos de seus celulares através do ShareIT (app de transferência de arquivos ultra veloz), os índios driblam a falta de infraestrutura de comunicação para dar maior alcance às suas vozes.

Vale até enviar pendrive com o áudio gravado pelo parente que está indo da aldeia para a sede do município de São Gabriel da Cachoeira, onde será editado o boletim Wayuri.

Símbolo da Rede feito por Feliciano Lana, artista da etnia Desano.

A Rede de Comunicadores Indígenas do Rio Negro incentiva a produção de informação nas línguas indígenas, principalmente, as que são co-oficiais em São Gabriel da Cachoeira: Baniwa, Tukano, Nheengatu e Yanomami.

A partir da geração de notícias, a Rede também impulsiona a incidência política do movimento indígena, contribuindo para a defesa de seus direitos. Esse fortalecimento inclui a produção e circulação de informações de interesse dos povos indígenas, tanto dentro dos seus territórios, como para fora dele.

As notícias e narrativas são produzidas por comunicadores indígenas, em sua maioria jovens e com grande participação feminina. Ao todo, são 17 comunicadores indígenas de 8 etnias: Baré, Baniwa, Desano, Tariano, Tukano, Tuyuka, Wanano e Yanomami.

“Nosso objetivo é expandir a comunicação com as comunidades e levar mais notícias que interessam aos povos indígenas por meio de um boletim feito pelos próprios parentes”, diz Ray Baniwa, coordenador de comunicação da Foirn, realizadora e animadora dessa Rede.

Cláudia Ferraz, do povo Wanano, também locutora e apresentadora do Wayuri, destaca a importância de levar informação para as aldeias. “A gente sabe da dificuldade que as pessoas têm de receber informação nessa área tão grande e com pouco acesso a serviços de comunicação. Por isso, acreditamos que o boletim de áudio pode ser o meio mais ágil e barato de levar notícias que interessam aos povos indígenas”, enfatiza.

Wayuri

Wayuri é uma palavra em Nheengatu, uma das três línguas indígenas co-oficiais em São Gabriel da Cachoeira, que significa “trabalho coletivo”.

O boletim feito mensalmente por indígenas e para indígenas é distribuído pelo WhatsAPP e podem ser acessados pelo SoundCloud. Quem desejar receber o Wayuri pelo celular, basta enviar uma mensagem para (97) 9841-55746.

*Com informações do ISA (Instituto Socioambiental)

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