HomePoderBrasilBolsonaro veta projeto de lei que previa psicólogos nas escolas públicas

Bolsonaro veta projeto de lei que previa psicólogos nas escolas públicas

Publicado em

O presidente Jair Bolsonaro vetou integralmente um projeto de lei que obrigava escolas públicas a contratar profissionais de psicologia e de assistência social. O veto, publicado nesta quarta-feira (10) no Diário Oficial da União, vê “inconstitucionalidade e contrariedade ao interesse público” no projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional em setembro.

Segundo o governo, os ministérios da Educação e da Saúde manifestaram-se a favor do veto porque a proposta cria despesas sem indicar uma fonte de receita.

“A propositura legislativa cria despesas obrigatórias ao Poder Executivo, sem que se tenha indicado a respectiva fonte de custeio, ausentes ainda os demonstrativos dos respectivos impactos orçamentários e financeiros”, diz o governo.

O veto presidencial foi criticado por entidades do setor de educação e psicologia. Para Norma Cosmo, do Conselho Federal de Psicologia (CFP), a contratação de profissionais multidisciplinares para a rede pública de ensino não deveria ser vista como uma despesa.

“A gente entende que inserir psicólogos e assistentes sociais na escola não é um gasto, mas um investimento. Essa medida poderia inclusive evitar muitos gastos que chegam no sistema de saúde público e que decorrem de problemas nas escolas”, diz Cosmo. “O presidente deveria olhar para o projeto numa perspectiva de economia em outros sistemas.”

Projeto de lei

Se fosse sancionada pelo presidente, a lei daria prazo de um ano para as escolas públicas incluírem assistentes sociais e psicólogos no seu quadro de funcionários. A medida valerá tanto para a educação básica quanto para o ensinos fundamental e médio, segundo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB).

O projeto determinava ainda que as equipes multiprofissionais deveriam “desenvolver ações para a melhoria da qualidade do processo de ensino-aprendizagem, com a participação da comunidade escolar”, e que o trabalho das equipes deveria “considerar o projeto político-pedagógico das redes públicas de educação básica e dos seus estabelecimentos de ensino.”

O texto final foi relatado pela deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) no plenário. Ela emitiu parecer pela aprovação do texto, exceto a de um artigo que estabelecia que estudantes com “necessidades específicas” seriam atendidos pela equipe da escola em parceria com profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS).

Apoio ao projeto

A proposta, aprovada pela Câmara, mas vetada pelo presidente, contava com apoio de entidades do setor de educação e psicologia. Um manifesto favorável ao projeto foi assinado pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP), a Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional (Abrapee), a Associação Brasileira de Ensino de Psicologia (Abep), a Federação Nacional de Psicólogos (Fenapsi) o Conselho Federal de Serviço Social (Cfess) e a Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa em Serviço Social (Abepss).

A carta conjunta destaca a importância da psicologia nas escolas para beneficiar a relação entre professores e estudantes e promover o respeito à saúde mental como alternativa a violência e preconceito nas escolas.

O CFP chegou a organizar audiências com líderes da Câmara dos Deputados para defender a importância do projeto para o enfrentamento da violência no ambiente escolar, no início de setembro. Após a articulação o projeto de lei ganhou requerimento de urgência na Câmara.

Com informações do G1*

Últimos Artigos

Reajuste de 4,93% muda salários de servidores da saúde no Amazonas

Medida aprovada pela ALE-AM contempla a data-base de 2026 e prevê aplicação dos novos...

Super El Niño pode elevar mortes por calor no Amazonas, aponta estudo

Projeção indica cerca de 1,2 mil mortes associadas às altas temperaturas no estado até...

Calor intenso faz consumo de energia atingir nova máxima em Manaus

Demanda chegou a 2.015 MW na noite de quarta-feira e estabeleceu o quinto recorde...

Greve na Caixa completa 15 dias e pagamentos de benefícios seguem normalmente

Paralisação mantém impasse sobre o Saúde Caixa e negociação foi levada ao Tribunal Superior...

Mais artigos como este

Reajuste de 4,93% muda salários de servidores da saúde no Amazonas

Medida aprovada pela ALE-AM contempla a data-base de 2026 e prevê aplicação dos novos...

Super El Niño pode elevar mortes por calor no Amazonas, aponta estudo

Projeção indica cerca de 1,2 mil mortes associadas às altas temperaturas no estado até...

Calor intenso faz consumo de energia atingir nova máxima em Manaus

Demanda chegou a 2.015 MW na noite de quarta-feira e estabeleceu o quinto recorde...