Operação na Terra Indígena Sararé já ultrapassa três meses e amplia ofensiva para impedir o retorno da mineração clandestina
A operação contra o garimpo ilegal na Terra Indígena Sararé, em Mato Grosso, avançou para uma nova etapa com a destruição de estruturas subterrâneas utilizadas por criminosos para manter a extração clandestina de ouro. Em mais de 90 dias de atuação, as forças federais já inutilizaram 35 bunkers e identificaram 33 túneis construídos para esconder equipamentos e dificultar a fiscalização.
A ação reúne equipes da Força Nacional de Segurança Pública (FNSP), Polícia Federal (PF), Polícia Rodoviária Federal (PRF), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai).
A estratégia adotada nesta fase da operação busca eliminar toda a infraestrutura usada pelos invasores, reduzindo as chances de que o garimpo volte a operar dentro da área indígena.
Garimpo ilegal perde infraestrutura montada no território indígena
Os bunkers funcionavam como esconderijos para motores, ferramentas e outros equipamentos utilizados na exploração ilegal de ouro. Já os túneis permitiam que os garimpeiros mantivessem a atividade de forma mais discreta, dificultando a identificação pelas equipes de fiscalização.
Segundo o delegado da Polícia Federal Rodrigo Vitorino, a destruição das galerias subterrâneas é conduzida pelo grupo especializado em bombas e explosivos da corporação.
O procedimento inclui a inspeção dos túneis, a perfuração do solo e a instalação de explosivos para provocar o desmoronamento das estruturas.
“O trabalho é realizado pelo grupo especializado em bombas e explosivos da Polícia Federal. Inicia-se com a inspeção de segurança dos túneis e a perfuração do solo para a implantação dos explosivos, a fim de provocar o colapso dos túneis. É uma fase importante da operação, pois visa impedir o retorno dos garimpeiros ilegais”, afirmou.
Operação já causou prejuízo superior a R$ 100 milhões
Além das novas ações, a força-tarefa segue realizando incursões em áreas onde ainda há registros da presença de garimpeiros. Paralelamente, equipes trabalham para inutilizar máquinas, acampamentos e demais estruturas deixadas pelos invasores.
De acordo com o coordenador-geral da operação de desintrusão, Nilton Tubino, o objetivo é impedir que a estrutura criminosa seja reutilizada.
Desde o início da ofensiva, o prejuízo estimado aos responsáveis pela mineração ilegal ultrapassa R$ 100 milhões. O balanço inclui a apreensão e destruição de 3,8 toneladas de explosivos, 199 acampamentos, 829 motores de garimpo, 34 escavadeiras hidráulicas e diversos equipamentos empregados na atividade clandestina.
Área indígena sofreu impactos da exploração de ouro
A Terra Indígena Sararé é habitada por 201 indígenas do povo Nambikwara, distribuídos em sete aldeias. Com aproximadamente 67 mil hectares, a área foi homologada em 1985.
Segundo o Governo Federal, cerca de 4.200 hectares do território foram afetados pela mineração ilegal ao longo dos últimos anos. A operação de desintrusão permanece em andamento e tem como principal objetivo garantir a proteção da população indígena e impedir a retomada da exploração ilegal de ouro na região.


