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Bruno acusou Funai de perseguição com política anti-indígena do governo

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Servidor do governo federal, Bruno diz em áudio que a perseguição ao seu trabalho começou com a política anti-índígena de Bolsonaro

A um mês antes de ser morto, esquartejado e queimado, Bruno Pereira já sentia o peso da perseguição da Funai (Fundação Nacional do Índio). Em áudio divulgado hoje (21) pela CNN Brasil, o servidor público do governo federal revelava que isso se devia à sua posição contrária à política anti-indígena orientada pelo presidente da República e seguida pela direção do órgão.

Essa pode ter sido a causa do afastamento de Bruno de cargo de direção e das funções na Funai. Ultimamente, ele atuava em ligação com a Univaja (União dos Povos Indígenas do Vale do Javari).

Como decorrência da sua posição contrária ao modo como a Funai vem sendo dirigida, o indigenista respondia a procedimento disciplinar interno. O órgão, contudo, se negou a dar detalhes desse ato administrativo alegando que é “sigiloso”.

Bruno vinha sendo tratado na Funai, conforme revelou, “quase como um chefe de milícia”. Segundo afirmou, a perseguição começou com o governo Bolsonaro, em 2019.

De acordo com o áudio, percebe-se que o papel de líder e profundo conhecedor da atividade indígena no Amazonas incomodava a direção da Funai. Sabedor disso, Bruno incentivava os colegas a “não baixar a cabeça”.

“Estar perto de mim é criptonita, é tóxico para essa direção”, disse em um dos trechos do áudio.

Estado ausente

E complementou a fala possivelmente a outro funcionário do órgão:

“Eu sei de que lado e quais as lutas que eu estou combatendo, né? Onde a gente está ganhando e onde a gente está perdendo”.

Esse áudio de hoje é, portanto, apenas um dos em que Bruno denuncia o cenário de quase abandono da segurança no Vale do Javari. Ele já havia revelado a presença de garimpeiros e de pescadores ilegais em terra indígena.

Leia mais:
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