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Dia do Fogo foi organizado por 3 grupos de Whatsapp, diz delegado

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Em entrevista exclusiva à Globo Rural, Sergio Velloso Pimenta, da PF de Santarém, dá detalhes da investigação.

Os incêndios criminosos que queimaram a Floresta Amazônica nos municípios de Altamira e Novo Progresso, no sudoeste do Pará, o chamado “Dia do Fogo”, no dia 10 de agosto – foram articulados em três diferentes grupos de WhatsApp. Foi o que revelou hoje em entrevista exclusiva à revista Globo Rural, o delegado da Polícia Federal de Santarém (PR), Sérgio Fernando Velloso Pimenta.

“A Polícia Federal ouviu oito pessoas que confirmaram os episódios do “Dia do Fogo”, disse ele. “Uma delas disse que fez parte do grupo Sertão, no WhatsApp, e também de dois outros grupos criados pelas lideranças do Dia do Fogo. Os grupos eram chamados Dia D e Dia 10. Eram grupos menores, onde só entrava gente de confiança. A liderança tomava o cuidado de excluir os elementos considerados suspeitos. Essa testemunha nos disse também que permaneceu pouco tempo lá no grupo e logo algum integrante o excluiu, porque desconfiaram que ele estava só olhando”.

O Delegado Sérgio Pimenta conduziu, na terça-feira (22/10) a operação de busca e apreensão de material em quatro endereços da cidade de Novo Progresso. Doze policiais participaram da operação chamada de “Pacto de Fogo”. As investigações seguem em sigilo.  Um dos endereços visitados pelos policiais foi o do presidente do Sindicato Rural de Novo Progresso, Agamenon Menezes, apontado como um dos líderes do movimento.

O endereço do empresário Ricardo De Nadai, que teria criado o grupo Sertão, também foi visitado pelos policiais. Eles recolheram computadores e celulares. Todo o material já está sendo periciado para tentar comprovar as denúncias feitas pelas testemunhas.

O delegado Sérgio Pimenta revelou que esteve com o promotor Paulo de Tarso, do Ministério Público Federal de Santarém, e solicitou a ele que intercedesse junto à Polícia Civil do Pará para conseguir acesso ao material colhido pelo delegado Daniel Mattos Mathias Pereira, de Novo Progresso.

“Nós sabemos que quando a imprensa divulgou que o “Dia do Fogo” foi organizado no WhatsApp várias pessoas que participaram desses grupos, ou tiveram acesso ao conteúdo deles, foram espontaneamente até a delegacia para tentar se redimir ou negar a participação nos incêndios. São muitos depoimentos e nós até agora só recebemos três deles”, disse o delegado. “Minha reunião com o promotor já tem umas três semanas e até agora não nos foi enviado nenhum material.”

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