A CPMI do INSS aprovou, nesta quinta-feira (26), a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha. O requerimento foi apresentado pelo relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar, e integra o aprofundamento das investigações sobre um suposto esquema de fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que teria movimentado bilhões de reais por meio de descontos indevidos.
A decisão marca uma nova etapa nos trabalhos da comissão parlamentar, que apura o possível envolvimento de pessoas politicamente expostas em transações financeiras consideradas suspeitas.
Mensagens interceptadas e suspeita de “sócio oculto” na CPMI do INSS
O foco da investigação envolvendo o filho do presidente está relacionado a diálogos obtidos pela Polícia Federal no âmbito da Operação Sem Desconto. Em uma das mensagens interceptadas, um dos investigados menciona pagamentos destinados ao “filho do rapaz”. Parlamentares da oposição avaliam que a referência pode indicar Fábio Luís.
Além disso, a CPMI do INSS apura se Lulinha teria atuado como “sócio oculto” em empresas ligadas a Antônio Camilo Antunes, apontado como uma das peças centrais do suposto esquema de fraudes.
Documentos analisados pela comissão indicam repasses que somam cerca de R$ 1,5 milhão, formalmente registrados como contratos de consultoria para prestação de serviços técnicos. A investigação, no entanto, suspeita que tais serviços possam não ter sido efetivamente realizados.
Governo e defesa contestam medida
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou o caso recentemente e afirmou que conversou com o filho, ressaltando que, caso haja irregularidades, ele deverá “pagar o preço”.
Por outro lado, o Palácio do Planalto e parlamentares aliados classificaram a decisão da comissão como uma tentativa de politização da investigação.
A defesa de Fábio Luís Lula da Silva nega qualquer envolvimento com o suposto esquema no INSS ou com os demais investigados. Em nota, os advogados afirmam que a quebra de sigilo bancário é medida excepcional e sustentam que o pedido estaria baseado em interpretações subjetivas de mensagens de terceiros, sem provas concretas.
Próximos passos da investigação
Com a aprovação do requerimento, a comissão deverá solicitar ao Banco Central e à Receita Federal o compartilhamento de dados financeiros de Lulinha referentes ao período entre 2022 e 2026.
Além da quebra de sigilo, a reunião desta quinta-feira também prevê o depoimento de empresários e advogados citados em relatórios da Polícia Federal.
A CPMI do INSS busca esclarecer como o sistema previdenciário permitiu desvios estimados em mais de R$ 6 bilhões nos últimos anos. Ao final dos trabalhos, a comissão deverá apresentar um relatório com possíveis indiciamentos e propor medidas para reforçar os mecanismos de controle, com o objetivo de evitar novos prejuízos a aposentados e pensionistas.


