HomeCotidianoAleam aprova moção de reconhecimento do feminicídio de Julieta Hernández

Aleam aprova moção de reconhecimento do feminicídio de Julieta Hernández

Publicado em

A Assembleia Legislativa do Amazonas (ALEAM) aprovou uma moção de apelo para que o homicídio da artista venezuelana Julieta Ines Hernández Martinez seja reconhecido como feminicídio. O crime, ocorrido em dezembro de 2023 em Presidente Figueiredo — a 125 quilômetros de Manaus — foi inicialmente classificado como latrocínio, ocultação de cadáver e estupro. Julieta, conhecida como “Palhaça Jujuba”, tinha 38 anos.

O pedido foi apresentado pela deputada Alessandra Campelo, presidente da Procuradoria da Mulher da ALEAM, nesta terça-feira (11). A moção foi aprovada por unanimidade pelos 24 parlamentares e será encaminhada ao Ministério Público do Amazonas (MPAM) e ao Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM).

Família de Julieta participou da sessão

A sessão no plenário contou com a participação de Sophia Hernández, irmã de Julieta; Vanja Andréa, da União Brasileira de Mulheres; Dora Brasil, do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher; e Denise Motta Dau, secretária nacional de Enfrentamento à Violência contra a Mulher do Ministério das Mulheres.

“Julieta Hernandez foi estuprada, ela foi torturada, ela foi queimada viva, e a subtração dos seus objetos e pertences foi com intuito de esconder o crime. Então, o motivo principal do crime não foi o roubo, ou seja, não foi latrocínio. Ela foi assassinada por ser mulher, ela foi estuprada por ser mulher”, declarou a deputada Alessandra Campelo.

Em seu discurso, Sophia Hernández relatou que sua irmã foi morta “por ser mulher, por percorrer só e valentemente 45 mil quilômetros de bicicleta”, e não para roubar seu celular, como o caso foi reconhecido na justiça:

“Não mataram minha irmã por um celular. Ela foi morta por causa de um sonho e missão de vida. O sonho de querer transformar o mundo com o sorriso. A missão de resgatar a infância de um destino desalmado e atroz. Minha irmã era completamente desapegada ao material e muito apegada à vida”, relatou Sophia Hernández.

Indignação

Representante da União Brasileira de Mulheres, Vanja Andréa também expressou sua indignação durante a sessão, defendendo a necessidade de um protocolo para que crimes contra mulheres sejam punidos conforme a lei:

“Mesmo nós mulheres sendo mais de 52% da população brasileira, nós não temos ainda uma construção conjunta de uns protocolos que possa nos possibilitar a questão de: havendo um crime contra a mulher, seja enquadrado de imediato nos termos do protocolo. Um protocolo que possa ser avaliado e o crime possa ser qualificado para que os autores possam ser punidos de acordo com a lei”, discursou.

De acordo com Varja, a colaboração da imprensa é fundamental para garantir que as notícias sejam divulgadas de forma correta, evitando a revitimização da família e amigos da vítima.

Xenofobia e misoginia

Denise Motta Dau, secretária nacional de Enfrentamento à Violência contra a Mulher, enfatizou que o crime contra Julieta tem todos os elementos para ser classificado como feminicídio:

“Julieta sofreu violência sexual, foi torturada, e amarrada, ela foi queimada, em um contexto de ódio e de ciúmes”. Ela acrescentou que o assassinato exemplifica a extrema violência de gênero, que não pode ser tolerada. “Houve misoginia, houve xenofobia, nesse brutal caso de feminicídio”, afirmou.

Nota do Ministério das Mulheres

No dia 5 de junho de 2024, o Ministério das Mulheres lançou uma nota oficial no site do Governo Federal reconhecendo que o assassinato de Julieta foi um crime de feminicídio:

“A violência contra Julieta Hernandez apresenta características de um crime misógino e xenófobo, de ódio à artista circense como mulher e como migrante. Reforçamos a importância das Diretrizes Nacionais para Investigar, Processar e Julgar com Perspectiva de Gênero as Mortes Violentas de Mulheres – Feminicídio; e também da Resolução nº 492/2023 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que tornou obrigatórias as diretrizes do Protocolo para Julgamento com Perspectiva de Gênero pelo Poder Judiciário”, diz a nota do ministério.

Além disso, o órgão do Governo Federal se comprometeu a auxiliar a família de Julieta na garantia da não-impunidade dos assassinos e do direito à memória da artista:

“O Ministério das Mulheres reconhece a preocupação dos familiares e advogados da vítima pela ausência do devido tratamento jurídico ao caso como uma grave violação de direitos humanos das mulheres e dos migrantes e reforça a crença nas instituições brasileiras para que este caso e o de todas as mulheres que recorrem à Justiça não fiquem impunes, por suas vidas e pelo direito à memória”.

 

Últimos Artigos

Reajuste no preço dos medicamentos entra em vigor com teto de 3,81%

O mercado farmacêutico brasileiro passa por uma atualização em sua tabela de valores máximos...

Como 980 quelônios foram salvos na RDS Puranga Conquista

A Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Puranga Conquista, localizada no Amazonas, alcançou uma marca...

Renato Junior assume Prefeitura de Manaus após renúncia de David Almeida para as Eleições 2026

Em cerimônia na Câmara Municipal, Almeida oficializa saída do cargo para focar na disputa...

Planeje sua Ceia: Confira o que muda nas Feiras da ADS nesta Semana Santa

Com a suspensão de edições em shoppings e centros culturais, agência concentra atendimento em...

Mais artigos como este

Reajuste no preço dos medicamentos entra em vigor com teto de 3,81%

O mercado farmacêutico brasileiro passa por uma atualização em sua tabela de valores máximos...

Como 980 quelônios foram salvos na RDS Puranga Conquista

A Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Puranga Conquista, localizada no Amazonas, alcançou uma marca...

Renato Junior assume Prefeitura de Manaus após renúncia de David Almeida para as Eleições 2026

Em cerimônia na Câmara Municipal, Almeida oficializa saída do cargo para focar na disputa...