Em cerimônia na Câmara Municipal, Almeida oficializa saída do cargo para focar na disputa pelo Governo do Estado; entenda o que muda na gestão da capital.
A manhã desta terça-feira (31) marca uma reviravolta no Poder Executivo da capital amazonense. O prefeito David Almeida (Avante-AM) entrega o cargo em solenidade na Câmara Municipal de Manaus (CMM) para viabilizar sua pré-candidatura ao Governo do Amazonas. Com a renúncia de David Almeida, o vice-prefeito Renato Junior assume o comando da cidade de forma definitiva, conforme rito estabelecido pela Lei Orgânica do Município.
A sucessão no Palácio Rio Branco
A troca de comando ocorre no Plenário Adriano Jorge a partir das 10h. Renato Junior, ex-secretário de infraestrutura e braço direito de Almeida, assume a prefeitura com o compromisso de manter o cronograma de obras e serviços em andamento. A movimentação atende ao prazo de desincompatibilização exigido pela Justiça Eleitoral para aqueles que ocupam cargos executivos e pretendem disputar novos postos no pleito de 2026.
Estratégia política: do Palácio para o interior
David Almeida já vinha pavimentando este caminho desde fevereiro, quando anunciou sua intenção de concorrer ao governo estadual. O ex-prefeito, que governou o estado interinamente em 2017, pretende nacionalizar e estadualizar projetos como o “Asfalta Manaus” e o modelo de educação municipal.
“É uma decisão difícil, mas necessária para livrar o estado de práticas que não condizem com o desenvolvimento que Manaus experimentou”, afirmou Almeida em discursos recentes. Ele planeja iniciar uma caravana pelo interior do Amazonas já em abril, visitando unidades de saúde e escolas para fortalecer sua base eleitoral fora da capital.
O legado e as controvérsias na balança
A gestão que se encerra hoje deixa marcas físicas na cidade, como o Complexo Viário Rei Pelé e a revitalização do Mirante Lúcia Almeida. Entretanto, a renúncia de David Almeida acontece sob os holofotes de investigações judiciais. O Ministério Público apura denúncias de viagens de luxo ao Caribe que teriam sido custeadas por empresários com contratos ativos na prefeitura.
Somado a isso, a recente operação policial que deteve uma ex-chefe de gabinete da prefeitura por supostas ligações com o crime organizado trouxe ruído político à despedida de Almeida. O agora ex-prefeito nega qualquer irregularidade e afirma que as investigações têm motivação política para desgastar sua imagem na corrida eleitoral que se inicia.


