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Isolamento e máscaras podem reduzir casos de Covid-19

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A Nota Técnica Nº 06 publicada pelo Departamento de Economia e Análise da Ufam (DEA) aponta que o uso do equipamento de proteção individual reduz o número de pessoas infectadas pelo novo coronavírus. Isolamento social e o uso de máscaras de proteção são fundamentais para a queda do número de casos. Se tais medidas forem aplicadas corretamente, a redução de novos casos pode chegar a 340 casos em média por dia.

Divulgada na última quarta-feira, 27, o documento aborda o tema “Cenários de Isolamento Social e Uso de Máscaras: Uma análise para o Estado do Amazonas” e foi elaborado pelo professor Frederick Alves. De acordo com a Nota Técnica, “percebe-se que, se nenhuma política de isolamento ou uso de máscaras for adotada, cerca de 916 pessoas, em média, se infectarão por dia. Porém, se as pessoas obedecerem a recomendação do uso de máscaras, o número de pessoas infectadas reduz, em média, 340 casos por dia. Caso o percentual de pessoas em isolamento social aumente em 10 pontos percentuais, e passasse a ser de 60%, o número de pessoas infectadas por dia deixará de ser de 916 e passará a ser de 649 no Estado”, expõe o documento do DEA.

Desde o início da pandemia, o isolamento social tem sido indicado como meio mais eficaz para evitar a propagação do novo coronavírus, sendo  que a taxa ideal para atingir o objetivo deve ser de 70%, com os 30% reservados para as pessoas que precisam sair de casa para trabalhar (trabalhos essenciais) e para fazer compras de medicamentos e alimentos, utilizando máscaras de proteção. Com base nisso, o professor Frederick Alves decidiu investigar como estes aspectos estão sendo vivenciados no Amazonas. “Até o dia 21 de maio de 2020, o Amazonas já registrava 25.367 casos e 1.620 óbitos. A média do índice de isolamento social diário no período de 13 de março (surgimento do primeiro caso de covid-19 no Estado) a 21 de maio é de 50,12%. Ou seja, em média, cerca de metade da população do Estado está respeitando as determinações de isolamento social recomendadas pelas autoridades para conter a proliferação da infecção por covid-19. Este valor está muito aquém do desejado”, registra o professor.

Para o professor, a flexibilização das medidas de isolamento e reabertura gradual das atividades econômicas previstas para o dia 1º de junho contribuirão para a redução da taxa de isolamento. “Em Manaus, muito provavelmente não atingiremos mais os 60% de isolamento social, essa taxa deve retornar aos poucos para algo entorno dos 40% que era anteriormente a essas medidas”, comenta. “Já, nas cidades do interior do Estado, o governo do Amazonas deixou livre para que os prefeitos decidissem cada situação, se aderem à reabertura gradual determinada pelo governador ou se restringem mais o fechamento desses locais. Nos municípios do interior que decretaram lockdown [fechamento total], muito provavelmente o percentual de 60% de isolamento pode ser factível”, diz Alves.

O professor alerta para a necessidade de a população colaborar com o isolamento social e não se deixar enganar pela falsa ideia de que a situação estará controlada apenas com o uso de máscaras, pois o equipamento não oferece eficácia total, havendo possibilidade de contaminação.  “O uso de máscaras pode criar a falsa impressão de que as coisas voltaram ao normal, e isso pode piorar a situação e voltar a aumentar o número de casos e óbitos por covid-19. As pessoas devem se conscientizar que mais importante do que usar máscaras, é saber usá-las. Além disso, para ser mais eficaz, deve-se também manter um certo distanciamento entre as pessoas, higienizar as mãos e objetos, conjuntamente com o uso correto das máscaras. Quanto mais as pessoas se conscientizarem disso e tornarem essas práticas como hábitos, mais rápido poderemos voltar a vida normal e menores serão os impactos socioeconômicos”, declara.

Se as novas medidas irão levar ao aumento de casos, o professor destaca que tudo dependerá de cada pessoa e suas ações para impedir que isso ocorra. “Se todos se conscientizarem que se deve manter certo distanciamento e evitar lugares com aglomerações, usar corretamente as máscaras, higienizar com frequência as mãos e objetos, a tendência é continuar reduzindo os casos. Porém, se nada disso for respeitado e as pessoas começarem a agir como se não houvesse uma pandemia, os casos bem como as mortes voltarão a aumentar e novas medidas mais rígidas de fechamento e isolamento deverão ser adotadas”, completa o pesquisador.

Leia mais:
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Com informações da Ufam*

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