Equipes trabalham desde a tarde de quarta-feira no Distrito Industrial para controlar a temperatura dos reservatórios. Ao menos 16 pessoas buscaram atendimento médico.
Equipes do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) permaneciam, na manhã desta quinta-feira (16), na fábrica da Innova, no Distrito Industrial de Manaus, para resfriar tanques de estireno e impedir novas liberações de vapor. A operação já ultrapassava 14 horas desde o início do incidente.
O vazamento de estireno em Manaus ocorreu por volta das 17h20 de quarta-feira (15), após um dos três tanques de monômero de estireno apresentar elevação anormal de temperatura. Segundo a empresa, os dispositivos de segurança foram acionados e liberaram os vapores para impedir uma situação de maior gravidade.
Embora o problema tenha sido identificado em apenas um reservatório, os bombeiros decidiram resfriar os três tanques da unidade como medida preventiva. Militares do Grupamento de Biossegurança e Produtos Perigosos permaneceram no local durante a madrugada para controlar a temperatura do material armazenado.
Vazamento de estireno em Manaus mobilizou operação de emergência
O Corpo de Bombeiros informou que recebeu o chamado às 17h36 de quarta-feira. Diante do risco químico, o plano de emergência foi ativado, e a área foi isolada com apoio da Polícia Militar do Amazonas (PM-AM).
Cerca de 35 bombeiros, dez viaturas e quatro canhões de água foram empregados na ocorrência. Brigadistas da Innova também participaram dos trabalhos.
A fábrica e empresas próximas foram evacuadas por segurança. Trechos da Avenida Buriti ficaram interditados para garantir a movimentação das equipes e dos veículos de emergência.
Durante a madrugada, os bombeiros concentraram a operação no resfriamento contínuo dos reservatórios. O objetivo é manter a temperatura do produto sob controle e evitar que novos vapores sejam liberados.
Vídeos registrados por trabalhadores mostram uma nuvem branca e densa saindo da área dos tanques e avançando pelo pátio da indústria. As imagens circularam nas redes sociais e aumentaram a preocupação entre funcionários de fábricas localizadas no entorno.
Na manhã desta quinta-feira, o forte odor da substância ainda podia ser percebido nas proximidades, segundo informações apuradas pela Rede Amazônica. Algumas empresas decidiram liberar trabalhadores que chegavam para cumprir o expediente.
Dezesseis pessoas procuraram unidades de saúde
A Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM) informou que 16 pessoas buscaram atendimento em unidades da rede estadual após a ocorrência.
Na noite de quarta-feira, todos os pacientes apresentavam quadro clínico estável e passavam por avaliação médica. Até a última atualização, a secretaria não havia divulgado novos dados sobre o número de atendimentos ou o estado de saúde das pessoas expostas.
O estireno é uma substância utilizada na produção de plásticos, borrachas e outros materiais industriais. Em condições normais, apresenta estado líquido, mas evapora com facilidade quando submetido a temperaturas elevadas.
Os vapores possuem odor forte e adocicado. A exposição pode provocar irritação nos olhos, no nariz e na garganta, além de dor de cabeça, tontura, fadiga, náusea e problemas respiratórios.
Empresa afirma que não houve incêndio
A Innova declarou que a situação foi controlada conforme os procedimentos de emergência adotados pela companhia. A empresa também informou que os resíduos produzidos durante a ocorrência foram armazenados para tratamento adequado.
Segundo a fabricante, não houve incêndio, vazamento de produto líquido para fora da área de contenção ou vítimas dentro das instalações.
“A situação foi prontamente contida de acordo com os procedimentos de emergência estabelecidos pela Companhia”, afirmou a Innova em nota.
A empresa acrescentou que o incidente não representa risco de desabastecimento para seus clientes e que continuará prestando esclarecimentos às autoridades responsáveis pela apuração.
A Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) informou que acompanha o caso e solicitou à Innova informações detalhadas sobre as providências adotadas para conter a ocorrência.
A autarquia destacou que a segurança das instalações é responsabilidade da companhia. A investigação sobre as causas do incidente e seus possíveis impactos ambientais, sanitários e sobre a saúde dos trabalhadores será conduzida pelos órgãos competentes.
Autoridades orientam população sobre exposição
A chefe do Departamento de Química da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Karime Bentes, explicou que o estireno pode evaporar rapidamente quando aquecido.
“Ele tem odor forte e adocicado. A exposição ao gás estireno pode causar irritação nos olhos, nariz e garganta, além de sintomas como dores de cabeça, tontura e fadiga. Em concentrações elevadas, pode levar a náuseas e problemas respiratórios. O recomendado é usar a máscara P2, também conhecida como N95”, declarou.
A Defesa Civil orientou moradores das áreas afetadas a permanecerem em ambientes abertos e bem ventilados. A recomendação inclui manter portas e janelas abertas para favorecer a circulação do ar e desligar aparelhos que captem ar da parte externa, como equipamentos de ar-condicionado e sistemas de ventilação.
A SES-AM recomenda procurar atendimento médico em caso de irritação nos olhos ou na pele, tontura, dor de cabeça, náusea, sonolência, confusão mental, dificuldade para respirar ou perda de consciência.


