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Amamentação pode trazer benefícios à saúde até a vida adulta

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Além de fornecer nutrientes e proteção nos primeiros meses, o leite materno participa de processos que podem repercutir no desenvolvimento e na saúde ao longo dos anos.

O aleitamento materno desempenha um papel que vai além da alimentação do bebê. A amamentação fornece nutrientes importantes, contribui para a proteção imunológica e pode ter reflexos na saúde que acompanham o indivíduo até a vida adulta.

Apesar dos benefícios, menos de 50% das crianças no mundo são amamentadas exclusivamente até os seis meses de idade, segundo dados apresentados pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

O leite materno possui composição que se adapta às necessidades da criança durante seu desenvolvimento. Além da nutrição, oferece componentes importantes para a imunidade e ajuda a reduzir riscos de infecções respiratórias, diarreias e alergias.

Para as mães, a amamentação também oferece benefícios, como redução do risco de câncer de mama e de ovário, além de auxiliar na recuperação após o parto.

Aleitamento materno nos primeiros meses de vida

A OMS recomenda aleitamento materno exclusivo durante os primeiros seis meses. Depois desse período, alimentos complementares devem ser introduzidos, enquanto a amamentação pode continuar até os dois anos ou mais.

No Brasil, agosto é marcado pelo Agosto Dourado, campanha de conscientização e incentivo à amamentação. A cor faz referência ao chamado “padrão ouro” do leite humano e à sua importância para o desenvolvimento e a proteção dos bebês.

Em 2026, a campanha mundial tem como tema “Amamentação para um começo de vida sustentável: Fortaleça o que funciona”, com atenção às estratégias de apoio às mães e à continuidade da amamentação.

Primeiros mil dias são considerados período decisivo

Da concepção aos dois anos de idade, os chamados primeiros mil dias representam uma fase de intenso desenvolvimento do organismo. Alterações nutricionais e ambientais ocorridas nesse período podem produzir consequências que se manifestam posteriormente.

Há quase três décadas, pesquisadores do Laboratório de Fisiologia Endócrina do Instituto de Biologia Roberto Alcantara Gomes, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), estudam doenças crônicas relacionadas a condições enfrentadas durante a gestação e a lactação.

As pesquisas se concentram principalmente em doenças endócrinas, como obesidade e diabetes. Entre os fatores analisados estão alimentação materna, estresse, desnutrição, uso de drogas e exposição a contaminantes ambientais, como cigarro e bisfenol A.

Segundo os trabalhos desenvolvidos pelo grupo, fatores maternos durante a lactação podem modificar a composição do leite e estar associados a maior risco de obesidade, alterações metabólicas, doenças cardiovasculares e transtornos neurocomportamentais.

Desmame precoce também é alvo de pesquisas

Estudos experimentais realizados em animais pelo grupo da UERJ investigam os mecanismos associados ao desmame precoce. Os resultados identificaram alterações hormonais e mudanças no controle da ingestão alimentar e do gasto energético, fatores relacionados ao desenvolvimento da obesidade.

O tema integra o campo conhecido como Origens Desenvolvimentistas da Saúde e da Doença (DOHaD), que pesquisa como condições presentes nas primeiras etapas do desenvolvimento podem repercutir na saúde futura.

Parte dessas informações foi reunida no livro “Amamentação molda o resto da nossa vida: doenças que surgem com o desenvolvimento”, voltado à compreensão da origem de doenças crônicas não transmissíveis e ao desenvolvimento de estratégias de prevenção.

Além do incentivo à amamentação, o suporte oferecido às mães é considerado fundamental. Apoio familiar, orientação adequada de profissionais de saúde, políticas públicas e condições apropriadas no ambiente de trabalho podem contribuir para que a amamentação seja mantida pelo período recomendado.

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