O deputado federal Nikolas Ferreira anunciou que irá protocolar representação no Ministério Público contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a escola de samba Acadêmicos de Niterói após o desfile em homenagem a Lula realizado na Marquês de Sapucaí. Segundo o parlamentar, a apresentação configuraria propaganda eleitoral antecipada com possível uso indevido de recursos públicos.
A declaração foi feita nesta segunda-feira (data não informada) por meio das redes sociais do deputado. Ele classificou o evento como um “desfile-comício em rede nacional” e afirmou que a homenagem teria promovido programas de governo sob o pretexto de manifestação cultural, impactando o equilíbrio do pleito de 2026.
Argumento de abuso de poder político e econômico
Na representação que pretende apresentar, Nikolas sustenta que houve abuso de poder político e econômico. O parlamentar também afirmou que, caso Lula registre candidatura à reeleição em 2026, poderá ingressar com uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE).
De acordo com o deputado, é necessário apurar se recursos federais repassados à escola de samba — incluindo verba destinada pela Embratur — teriam sido utilizados para impulsionar a imagem do presidente durante o Carnaval, evento de grande visibilidade nacional e internacional.
Nikolas também direcionou críticas ao Tribunal Superior Eleitoral, alegando suposto tratamento desigual em casos relacionados à antecipação de campanha.
A movimentação não se restringe ao deputado mineiro. O senador Flávio Bolsonaro e a senadora Damares Alves também se manifestaram publicamente contra o enredo da escola. O partido Novo chegou a tentar barrar, sem sucesso, o repasse de R$ 1 milhão da Embratur à agremiação, sob o argumento de desvio de finalidade.
Defesa aponta liberdade artística e ausência de pedido de voto
Por outro lado, a defesa da Acadêmicos de Niterói e aliados do governo afirmam que o enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil” constitui manifestação artística legítima sobre uma figura histórica do país.
O argumento central é que o Carnaval possui autonomia cultural e que o desfile não configurou propaganda eleitoral, uma vez que não houve pedido explícito de voto. Recentemente, decisões da Justiça Federal e do próprio TSE negaram pedidos liminares que buscavam impedir a apresentação, reforçando o entendimento de que a liberdade de expressão artística possui proteção constitucional contra censura prévia.
Estreia no Grupo Especial amplia visibilidade
O desfile marcou a estreia da Acadêmicos de Niterói no Grupo Especial do Rio de Janeiro, após a escola conquistar o título da Série Ouro em 2025. A repercussão do enredo biográfico ampliou a visibilidade da agremiação, mas também deu início a uma disputa jurídica e política que pode se prolongar nos próximos meses.
A eventual atuação do Ministério Público deverá avaliar se houve irregularidade no financiamento do desfile e se a homenagem ultrapassou os limites da expressão cultural para configurar promoção político-eleitoral com recursos públicos.
O caso ocorre em meio ao cenário de polarização política que antecede as eleições de 2026 e coloca em debate os limites entre liberdade cultural e regras eleitorais aplicáveis a agentes públicos em exercício de mandato.


