A Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), encerrou nesta sexta-feira (30/1) a campanha Janeiro Roxo, com uma caminhada de sensibilização no bairro Colônia Antônio Aleixo, na zona Leste da capital. A iniciativa teve como objetivo reforçar a importância da divulgação de informações sobre a hanseníase, combater o estigma relacionado à doença e incentivar o acesso oportuno ao diagnóstico e ao tratamento.
De acordo com dados da Semsa, Manaus já registrou seis novos casos de hanseníase em 2026. Em 2025, o município contabilizou 106 casos novos da doença.
Parceria entre saúde e sociedade fortalece ações educativas
A programação contou com a participação da diretora do Distrito de Saúde (Disa) Leste, Rosângela Castro, que destacou a atuação conjunta dos serviços de saúde com a sociedade civil, escolas, igrejas e associações comunitárias no enfrentamento ao preconceito e na orientação da população sobre a busca por atendimento diante de sinais e sintomas da doença.
“Todas as unidades de saúde da Prefeitura de Manaus estão capacitadas para realizar o diagnóstico e o tratamento da hanseníase. Além disso, estamos unidos com a sociedade civil para acabar com o preconceito, reforçando que a doença tem cura e que, após o início do tratamento, o paciente deixa de transmitir a hanseníase”, afirmou Rosângela Castro.
A diretora também ressaltou que o diagnóstico precoce e o tratamento em tempo oportuno são fundamentais para evitar sequelas.
Unidades de saúde intensificaram busca ativa durante a campanha
A chefe do Núcleo de Controle da Hanseníase (Nuhan/Semsa), enfermeira Ana Cristina Malveira, avaliou de forma positiva as ações realizadas ao longo do mês de janeiro. Segundo ela, todas as unidades da rede municipal intensificaram a busca ativa de casos suspeitos, a avaliação clínica, a realização de exames dermatológicos, a aplicação do Questionário de Suspeição da Hanseníase (QSH) e a testagem de contatos de pessoas diagnosticadas com a doença.
Além disso, foram promovidas ações educativas, palestras e rodas de conversa para informar a população sobre os sintomas e reforçar a importância do exame de pele. “A caminhada que encerrou a campanha também integrou essa programação, destacando que a hanseníase tem cura e que o tratamento e os medicamentos são oferecidos gratuitamente na rede municipal”, explicou Ana Cristina.
Acompanhamento continua após o tratamento
Segundo a enfermeira, a rede municipal mantém a atenção à saúde não apenas dos pacientes em tratamento, mas também daqueles que já tiveram a doença. O acompanhamento inclui avaliações dermatológicas e fisioterápicas, reavaliação do estado de saúde, além do monitoramento de familiares e contatos.
“A campanha foi encerrada, mas o combate à hanseníase acontece durante todo o ano nas unidades de saúde. Vamos continuar trabalhando para tirar da invisibilidade os casos da doença”, afirmou.
Entenda o que é a hanseníase e quais são os sintomas
A hanseníase é uma doença infecciosa crônica causada pelo bacilo Mycobacterium leprae. A transmissão ocorre por meio de gotículas de saliva expelidas na fala, tosse ou espirro, principalmente em casos de contato próximo e prolongado com pessoas infectadas que não estejam em tratamento.
Entre os principais sintomas estão manchas na pele, perda de sensibilidade ao calor, frio e dor, além de sequelas neurológicas, como perda de força muscular nas mãos e nos pés, formigamento, câimbras, queda de pelos das sobrancelhas e cílios, e alterações na sudorese.
Comunidade destaca importância da informação no combate ao preconceito
O conselheiro de saúde Paulo Guerreiro, morador da Colônia Antônio Aleixo e diretor do projeto social Lar da Mariazinha, participou da caminhada e ressaltou o papel do trabalho filantrópico no apoio ao poder público.
“Essa parceria e a campanha Janeiro Roxo são fundamentais para valorizar essa luta, que é de todos nós. Ainda existe muito preconceito por falta de informação, e um ato público ajuda a ampliar o conhecimento e a conscientização”, concluiu.


