O Ministério da Fazenda inicia uma nova fase a partir desta quinta-feira. Após três anos na liderança da pasta, Fernando Haddad encerra sua gestão para se dedicar à corrida eleitoral pelo Governo de São Paulo. A Mudança no Ministério da Fazenda foi confirmada com a indicação de Dario Durigan, atual braço direito de Haddad, para assumir o cargo. O novo ministro recebe um cenário marcado por um Orçamento restrito e a necessidade de manter a estabilidade fiscal em um ano de eleições e volatilidade externa.
O anúncio oficial ocorre em um ato simbólico no Sindicato dos Metalúrgicos, no ABC Paulista. A saída de Haddad é peça chave na estratégia política do governo, que busca fortalecer seu palanque em São Paulo, visando a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Quem é Dario Durigan, o novo titular da economia?
A escolha de Dario Durigan sinaliza uma busca por estabilidade técnica e continuidade. Com trajetória na Advocacia-Geral da União e passagem pela prefeitura da capital paulista, Durigan já ocupava a secretaria-executiva, sendo o principal articulador da pasta junto ao Congresso Nacional. Sua experiência anterior no setor privado, como diretor no WhatsApp, confere ao novo ministro uma visão multifacetada sobre regulação e economia digital.
Dentro do governo, Durigan é visto como o sucessor natural por já dominar as negociações em curso. Sua missão será manter o diálogo aberto com o Legislativo, especialmente em um período em que o Congresso tende a reduzir o ritmo de votações devido às eleições municipais e estaduais.
Gargalos orçamentários e o impacto da Mudança no Ministério da Fazenda
O principal desafio imediato de Durigan será gerir um Orçamento pressionado pelo aumento de gastos obrigatórios. A margem para novas despesas é mínima, o que exige um controle rigoroso para que as metas do arcabouço fiscal não sejam comprometidas. Esse equilíbrio é fundamental para acalmar os mercados e garantir que a inflação permaneça sob controle.
No cenário internacional, o aumento das tensões no Oriente Médio trouxe novos riscos para o preço do barril de petróleo. Essa pressão externa dificulta a atuação do Banco Central no corte da taxa de juros, tornando o trabalho de Durigan ainda mais técnico. A manutenção da credibilidade fiscal será o seu principal instrumento para atrair investimentos e permitir um crescimento econômico sustentável.
O legado de Haddad e as reformas pendentes
Fernando Haddad deixa o ministério após consolidar o novo arcabouço fiscal e avançar com a reforma tributária sobre o consumo. Durante sua passagem, ele priorizou o aumento da base arrecadatória, focando em setores anteriormente menos tributados, como fundos exclusivos e apostas online. Contudo, a agenda legislativa que Durigan herda ainda é extensa.
Entre as prioridades que o novo ministro deverá conduzir no Congresso, destacam-se:
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Imposto Seletivo: A regulamentação do tributo que incidirá sobre produtos nocivos à saúde.
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Contenção de Gastos: O debate sobre a reforma da Previdência dos militares e o fim dos supersalários no serviço público.
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Agenda Microeconômica: Normas para facilitar o crédito e a regulamentação das big techs.
A aposta política de Fernando Haddad em São Paulo
O retorno de Haddad à política eleitoral paulista ocorre após um período de intensa exposição como o principal rosto da economia do país. Embora tenha enfrentado derrotas em pleitos anteriores, o ex-ministro aposta nos resultados obtidos na Fazenda para alavancar sua candidatura contra o atual governador Tarcísio de Freitas.
Haddad encerra seu ciclo defendendo a tese de que a trajetória de alta da dívida pública, atualmente em 78,7% do PIB, é consequência dos juros elevados e de passivos anteriores. Agora, caberá a Durigan provar que a estrutura montada pelo seu antecessor é resiliente o suficiente para suportar as pressões políticas e econômicas do próximo ano.


