A Prefeitura de Manaus consolidou, em toda a rede assistencial da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), uma estratégia ampliada para reduzir o adoecimento e a mortalidade por HIV/Aids, por meio da implantação definitiva das ações do Circuito Rápido da Doença Avançada.
Originalmente testado como projeto-piloto em 2023, o circuito foi ampliado na capital amazonense com base em diretrizes do Ministério da Saúde e já integra a rotina dos serviços especializados. O objetivo é agilizar o diagnóstico de infecções oportunistas e encurtar o tempo entre descoberta da infecção pelo HIV e início do tratamento adequado, diminuindo hospitalizações e complicações graves.
Diagnóstico mais rápido e cuidado mais amplo
De acordo com Thayná Saraiva, chefe do Núcleo de Controle de HIV/Aids, ISTs e Hepatites Virais da Semsa, a estratégia inclui exames rápidos para identificar pacientes com queda significativa da imunidade, bem como testes específicos para tuberculose, histoplasmose e infecção criptocócica, doenças oportunistas que podem agravar a condição de pacientes vivendo com HIV.
Além disso, o circuito promove a vinculação dos pacientes a cuidados essenciais, como profilaxia adequada, tratamento antirretroviral (TARv), cuidado preventivo contra tuberculose e um sistema de monitoramento de dados que facilita o acompanhamento clínico.
Resultados e impacto na saúde pública
Segundo dados do Ministério da Saúde de agosto de 2025, 484 pessoas vivendo com HIV/Aids com condição avançada foram avaliadas nos serviços de assistência especializada de Manaus desde maio de 2023.
Em 2025, o município registrou 233 óbitos por Aids, número menor que o de 2022 (262), antes da implantação do projeto-piloto, além de 1.528 casos de HIV, incluindo 505 casos de Aids em adultos. Ao todo, 12.134 usuários ativos do serviço foram registrados nas unidades que realizam o manejo clínico em HIV no ano passado.
Orientação e prevenção
O médico infectologista Bruno Araújo Jardim, que atua no núcleo da Semsa, destacou que a transmissão do HIV ocorre principalmente por meio de relações sexuais sem preservativo, mas pode ocorrer também por contato com materiais perfurocortantes e por transmissão vertical (da mãe para o bebê).
Jardim reforça que o tratamento antirretroviral, quando seguido corretamente, pode tornar a carga viral indetectável, proporcionando boa qualidade de vida e reduzindo praticamente a zero a transmissão para outras pessoas.


