O Governo Federal oficializou, nesta segunda-feira (16), em Brasília, o Plano Clima, o novo documento norteador que estabelece as diretrizes para o Estado e a sociedade civil enfrentarem a crise climática. A estratégia visa transformar o Brasil em uma economia de baixo carbono e socioambientalmente sustentável, com foco em ações de mitigação e adaptação.
Metas ambiciosas e neutralidade de carbono
A espinha dorsal do Plano Clima é a meta de redução das emissões de dióxido de carbono entre 59% e 67% até o ano de 2035, tomando como base os níveis registrados em 2005. Este compromisso é visto como o passo fundamental para que, até 2050, o Brasil alcance a neutralidade de emissões de gases de efeito estufa.
A elaboração da proposta teve início em 2023 e contou com um processo participativo que envolveu 24 mil pessoas. O resultado foi uma síntese de cerca de 5 mil propostas validadas pelo Comitê Interministerial sobre Mudança Climática (CIM), composto por 25 pastas ministeriais.
Resposta à emergência climática e desastres naturais
A ministra do Meio Ambiente e Mudança Climática, Marina Silva, destacou que o plano é a principal ferramenta para lidar com a severidade da crise atual. Ela citou eventos extremos recentes, como as enchentes no Rio Grande do Sul e na Bahia, as secas históricas na Amazônia e a recente tragédia na Zona da Mata mineira, que vitimou 70 pessoas.
“O Plano Clima orientará as ações do governo tanto nas agendas de adaptação e mitigação, servindo para reorientar nossas ações de desenvolvimento”, afirmou a ministra.
Financiamento e liderança global
Para viabilizar as metas, o governo contará com diversas fontes de custeio, incluindo investimentos privados via Eco Invest Brasil e recursos internacionais da Plataforma Brasil de Investimentos Climáticos (BIP). Somente para este ano, o Fundo Clima, gerido pelo BNDES, disponibilizará mais de R$ 33 bilhões.
O ministro da Casa Civil, Rui Costa, enfatizou que o projeto posiciona o Brasil na vanguarda da agenda ambiental global. Já a ministra Luciana Santos (Ciência, Tecnologia e Inovação) reforçou que o país passa a antecipar soluções baseadas em evidências científicas, em vez de apenas reagir a catástrofes.


