A decisão da Justiça da Itália de autorizar a extradição de Zambelli marca um ponto de virada nos processos judiciais que envolvem a ex-parlamentar brasileira. A notificação oficial sobre o envio da ex-deputada federal ao Brasil foi entregue ao governo brasileiro nesta quinta-feira, dia 26. Detida em solo italiano desde 29 de julho de 2025, a ex-deputada deve retornar ao país nas próximas semanas para iniciar o cumprimento de suas penas em regime fechado.
A transferência ocorre após um longo período de análises técnicas pela Corte de Apelação de Roma. O tribunal italiano avaliou minuciosamente as garantias oferecidas pelo Judiciário brasileiro e os crimes imputados à ex-parlamentar pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A expectativa das autoridades é de que os trâmites logísticos para o transporte ocorram de forma célere, com o apoio da Interpol e da Polícia Federal brasileira.
O processo jurídico e a decisão em Roma
O julgamento que resultou na extradição de Zambelli passou por etapas complexas antes do veredito final. A fase de audiências foi concluída em 12 de março, após sessões que contaram com depoimentos de advogados de defesa e representantes do governo brasileiro. Durante o processo, a defesa tentou sem sucesso a substituição dos magistrados italianos, sob a justificativa de uma suposta parcialidade, pedido que foi prontamente negado pela justiça local.
Anteriormente, o tribunal de Roma havia postergado a análise em duas ocasiões, nos meses de dezembro e janeiro. Os juízes alegaram que precisavam de tempo adicional para examinar a vasta documentação enviada pelo Brasil. Com a sentença agora publicada e notificada, encerram-se as possibilidades de permanência da ex-deputada na Itália, país onde ela buscou refúgio utilizando sua cidadania italiana.
Penas a cumprir e o destino prisional
O retorno da ex-parlamentar está diretamente ligado às condenações impostas pelo ministro Alexandre de Moraes. O crime de maior impacto jurídico refere-se à invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ocorrida em 2023. As investigações apontaram que a ação foi coordenada pela ex-deputada, o que resultou em uma sentença de 10 anos de reclusão.
Além desse processo, a extradição de Zambelli também contempla a condenação por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal. O episódio em questão ocorreu em São Paulo, em 2022, quando a então parlamentar perseguiu um cidadão em via pública enquanto portava armamento. Tais condenações motivaram a cassação definitiva de seu mandato pela Câmara dos Deputados, uma vez que o regime fechado é incompatível com o exercício da função legislativa.
Ao chegar ao Brasil, o destino provável da ex-deputada é a Penitenciária Feminina do Distrito Federal. A unidade, conhecida pelo apelido de Colmeia, foi validada pelo STF como um local que oferece condições adequadas de segurança e assistência médica. O ministro relator destacou que o presídio possui histórico de estabilidade e oferece programas de ressocialização, atendendo aos requisitos humanitários exigidos para o processo de repatriação de presos.
Próximos passos e cronograma de retorno
Com o sinal verde da Itália, o Ministério da Justiça e o Itamaraty iniciam a coordenação do translado internacional. O procedimento exige um planejamento rigoroso para garantir a segurança da custodiada durante o voo de retorno. Embora datas específicas não tenham sido divulgadas por questões estratégicas, a previsão é de que em poucos dias a ex-deputada já esteja sob custódia direta das autoridades brasileiras em Brasília.


