A Câmara Municipal de Manaus (CMM) abriu espaço para que Joyce e Bruno Freitas, pais de Benício Xavier de Freitas, relatassem aos vereadores as circunstâncias que levaram à morte do menino de seis anos após receber uma dose incorreta de adrenalina em um hospital particular da capital.
O pronunciamento foi autorizado após pedido do vereador João Paulo Janjão (Agir) e aprovado por todos os parlamentares. Na tribuna, o casal descreveu o atendimento prestado ao filho entre os dias 22 e 24 de novembro e pediu apoio para que o caso avance na busca por responsabilização.
“Nenhuma mãe leva seu filho ao hospital para morrer; nenhum pai entrega seu filho a profissionais esperando que ele volte morto. Senhores vereadores, por favor, criem mecanismos, aperfeiçoem protocolos, organizem sistemas. O que nós queremos é o que qualquer mãe e pai desejaria: garantir que nenhuma criança seja vítima de um erro tão básico, tão evitável e tão devastador”, declarou Bruno Freitas.
Vereadores manifestam apoio
Após o depoimento, parlamentares se solidarizaram com a família e reforçaram a disposição da CMM em acompanhar o caso.
“Eu quero me solidarizar com vocês e toda a sua família, além de toda a sociedade de Manaus que se sensibilizou com essa tragédia, porque nós sabemos que houve uma falha. Digo a vocês que estou emanado na causa e tudo que eu puder fazer para abrandar a sua dor, contem comigo”, disse o vereador Professor Samuel (PSD).
O vereador Sérgio Baré (PRD) também expressou apoio: “Como pai, externo a minha solidariedade, deixando bem claro que, neste momento, não há lados; há apenas pessoas feridas, vidas machucadas e pais que precisam de cuidado. O que vocês buscam hoje é justiça, é reparação de danos, mesmo que nada disso vá reparar a sua perda”.

Como aconteceu o atendimento
Segundo a família, Benício procurou atendimento no Hospital Santa Júlia no dia 22 de novembro com tosse seca e suspeita de laringite, após dois episódios de febre. Ele foi avaliado por uma médica, que prescreveu lavagem nasal, soro, xarope e três aplicações intravenosas de adrenalina 3 ml a cada 30 minutos. A administração dos medicamentos ficou sob responsabilidade de uma técnica de enfermagem.
Depois das doses, o menino apresentou piora acentuada: palidez, extremidades arroxeadas e queda de saturação para cerca de 75%. Em seguida, foi encaminhado para a sala vermelha e, por volta das 23h, entubado na UTI.
Bruno relatou que, após a intubação, o filho sofreu seis paradas cardíacas sucessivas, todas com tentativas de reanimação. A última ocorreu às 2h55 do dia 23 de novembro, quando o menino não resistiu.


