O Senado Federal aprovou nesta terça-feira (10) um projeto que autoriza a criação de 17,8 mil novos cargos no Poder Executivo federal. A proposta, apresentada pelo governo, agora segue para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva antes de se tornar lei.
Segundo o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), a medida terá impacto estimado de R$ 5,3 bilhões em 2026. O relator do texto no Congresso, o senador Randolfe Rodrigues, afirmou que cerca de 270 mil servidores públicos devem ser beneficiados com as mudanças.
De acordo com o parlamentar, os recursos necessários já estão previstos na Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026 e deverão ser incorporados ao planejamento fiscal dos próximos anos.
Apesar disso, o MGI informou que os valores não necessariamente serão executados integralmente ainda em 2026, pois dependem da implantação de novos institutos federais e da realização ou conclusão de concursos públicos.
Criação de cargos no Executivo e impacto orçamentário
O impacto financeiro do projeto se divide em três principais frentes:
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R$ 1,1 bilhão para a criação dos 17,8 mil cargos no Ministério da Educação e no Ministério da Gestão;
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R$ 91,2 milhões para a criação de um plano especial voltado a cargos do Ministério da Educação;
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R$ 4,2 bilhões destinados ao reajuste de carreiras do Poder Executivo federal.
A proposta também prevê a criação do Instituto Federal do Sertão Paraibano, resultado do desmembramento do Instituto Federal da Paraíba. A iniciativa foi articulada pelo presidente da Câmara, Hugo Motta, que acompanhou a votação da matéria no Senado.
Incentivo à qualificação de servidores
O projeto aprovado também altera regras para incentivar a qualificação de servidores da educação federal, incluindo profissionais que atuam em escolas básicas e universidades.
O incentivo ocorre por meio de aumento de remuneração vinculado à formação acadêmica acima da exigida no concurso público que permitiu o ingresso do servidor.
Entre os critérios considerados para progressão ou benefícios estão:
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participação em grupos de trabalho e projetos de apoio à pesquisa;
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premiações recebidas;
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exercício de funções de direção;
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produção de conhecimento científico.
O novo programa também poderá incluir servidores com fundamental incompleto, ampliando o alcance das políticas de valorização profissional.
Nova carreira e reajuste para médicos e auditores
A proposta também estabelece outras mudanças na estrutura do funcionalismo federal. Entre elas:
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Criação da carreira de Analista Técnico do Poder Executivo (ATE), que reunirá servidores de nível superior de diferentes áreas para simplificar a gestão de carreiras;
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aumento salarial na carreira ATE, com o valor máximo passando de R$ 4.620,50 para R$ 9.716,48 a partir de abril;
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reajuste salarial para médicos e médicos veterinários que atuam como técnicos administrativos em educação;
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reajuste das carreiras tributária e aduaneira da Receita Federal e de auditoria fiscal do trabalho;
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transformação de cargos da área da cultura em analista em atividades culturais e assistente técnico administrativo;
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reorganização da carreira de perito federal territorial, que passará a ser supervisionada pelo Ministério da Gestão;
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criação de gratificação temporária de apoio a atividades técnicas para servidores que atuam em funções ainda sem plano de carreira estruturado.
Debate sobre desigualdade entre carreiras públicas
A organização República.org avaliou que a revisão das carreiras é importante para modernizar a administração pública, mas destacou a necessidade de reduzir desigualdades salariais dentro do funcionalismo.
Segundo a entidade, algumas carreiras chegam a receber até 150% a mais do que outras com atribuições semelhantes.
A organização também defende uma reforma mais ampla na estrutura do funcionalismo, lembrando que atualmente a administração pública federal possui cerca de 290 tabelas salariais diferentes, o que torna a gestão mais complexa.


