HomeCotidianoRessurgimento do sorotipo 3 da dengue preocupa especialistas

Ressurgimento do sorotipo 3 da dengue preocupa especialistas

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Um estudo publicado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com a Fiocruz Amazônia (IOC/Fiocruz) apontou o ressurgimento do sorotipo 3 do vírus da dengue, conhecido como DENV-3 GIII, no Brasil. A variante correspondia a um índice inferior a 1% dos casos de dengue no país desde 2010, tendo completamente desaparecido do Brasil nos últimos anos. A ausência de casos reportados levou instituições de saúde a darem a variante do vírus da dengue como extinto no território brasileiro.

Entretanto, esse cenário mudou no primeiro semestre de 2023. O estudo da Fiocruz reporta 3 casos de contaminação pelo DENV-3 foram detectados pelo Laboratório Central de Saúde Pública de Roraima (LACEN-RR) entre o dia 3 de janeiro e 4 de março deste ano, e mais 1 caso importado do Suriname foi identificado no estado do Paraná.

DENV-3

De acordo com a Fiocruz, amostras dos 4 pacientes foram enviadas aos laboratórios da Fiocruz Amazônia, onde foi constatado que o vírus se tratava mesmo do DENV-3 por meio da comparação com amostras conhecidas do causador da doença com a Tecnologia Illumina (VSP). A estimativa é que o vírus tenha circulado por cerca de 3 anos antes da detecção em 2023.

O primeiro caso conhecido do DENV-3 no Brasil foi detectado no Rio de Janeiro em dezembro de 2000. Pouco tempo depois, em 2002, o sorotipo 3 foi justamente o responsável pela maior epidemia de dengue da região sudeste. No decorrer dos anos 2000, o DENV-3 foi o principal agente de diversos outros focos epidêmicos em todo o país. Na época, profissionais da saúde alertavam a população acerca de seu alto poder de contaminação.

Risco de epidemia

O virologista Dr. Felipe Naveca, chefe do Núcleo de Vigilância de Vírus Emergentes, Reemergentes e Negligenciados da Fiocruz Amazônia e pesquisador do Laboratório de Arbovírus e Vírus Hemorrágicos do IOC/Fiocruz, um dos autores do estudo que identificou os novos casos, falou sobre uma possível epidemia causada pelo DENV-3:

“A disseminação de uma nova linhagem do DENV-3 em um país extenso e populoso como o Brasil é preocupante porque muitos habitantes não possuem imunidade contra esse sorotipo. O Brasil não enfrentou nenhum surto recente desse sorotipo; então, existe, sim, um risco real de uma epidemia”, alerta o Dr. Felipe Naveca.

O ressurgimento do DENV-3 GIII na região norte confirma também a nova introdução deste sorotipo nas Américas após um sumiço de 13 anos. O Dr. Naveca aponta que esse fato é muito importante para compreender o problema:

“Todo esse tempo sem identificação do GIII no Brasil pode ter tornado a população altamente suscetível à infecção pela dengue. Esse dado por si só destaca a importância da detecção da doença ainda no estágio inicial e a necessidade de monitoramento contínuo do DENV-3 não só no Brasil, como em outros países da América do Sul e Central.”, diz o virologista.

Amazonas

A Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas – Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP/AM) lançou um alerta ainda em janeiro sobre o aumento dos casos de dengue no Amazonas. Só nos primeiros 80 dias de 2023, o estado registrou 5,2 mil casos da doença, o que corresponde a 95% do número total de casos no ano inteiro de 2022. Nesse período, as cidades mais afetadas foram Humaitá e Ipixuna, com 966 e 896 casos cada, respectivamente. 

Os primeiros sintomas observados da dengue costumam ser febre de 39°C a 40°C, dor nas articulações, dor atrás dos olhos, forte dor de cabeça, náusea e manchas vermelhas na pele, acompanhadas ou não de prurido (coceira). Em caso de dois ou mais sintomas, o paciente deve procurar auxílio médico para identificar a doença e iniciar o tratamento. 

Leia mais:
Amazonas registra mais de 6 mil casos e 5 mortes por dengue em 2023

Com informações da Gazeta da Amazônia*

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