Os motoristas da capital amazonense foram surpreendidos com um novo reajuste nas bombas no último sábado. O preço da gasolina em Manaus atingiu a marca de R$ 7,29 para o produto comum em diversos estabelecimentos, consolidando um aumento de aproximadamente trinta centavos em relação ao patamar anterior de R$ 6,99. A variação também alcançou a gasolina aditivada, que chegou a ser comercializada por R$ 7,49 em postos de diferentes zonas da cidade.
Essa movimentação nos postos locais não é um fato isolado, mas sim o reflexo de uma tendência de alta que começa a ser percebida em todo o território nacional. O aumento ocorre em um momento de extrema sensibilidade geopolítica, onde fatores externos exercem pressão direta sobre os custos operacionais da cadeia de combustíveis no Brasil.
Levantamento da ANP confirma tendência de alta nos combustíveis
Dados oficiais da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) corroboram o cenário de elevação. O relatório semanal da instituição indicou que o valor médio do combustível fóssil no país avançou de R$ 6,28 para R$ 6,30. O óleo diesel também registrou incremento, saindo de R$ 6,03 para R$ 6,08 por litro.
Este cenário marca a interrupção de um período de relativa estabilidade. No caso da gasolina, esta é a primeira subida de preços registrada desde a metade de janeiro. Já para o diesel, o avanço interrompe uma sequência sem reajustes que vinha desde o início de 2026. Analistas do setor indicam que o repasse para o consumidor final é uma resposta direta ao encarecimento do produto nas distribuidoras.
Impacto do cenário internacional no preço da gasolina em Manaus
A principal causa para a pressão inflacionária nos combustíveis reside no Oriente Médio. O conflito armado no Irã gerou uma onda de incertezas no mercado global de energia, levando a cotação do petróleo Brent a ultrapassar a barreira dos US$ 100 por barril. Trata-se do maior valor registrado em mais de três anos e meio.
Com a morte do líder supremo Ali Khamenei e a ascensão de Mojtaba Khamenei ao poder, o mercado reagiu com volatilidade. O barril do petróleo referência subiu mais de 9% em um único pregão, impactando os custos de importação e refino. Como o Brasil possui refinarias privatizadas e importadores independentes que suprem cerca de 30% do mercado, o alinhamento com os valores internacionais acontece de forma mais célere nessas unidades.
Posicionamento da Petrobras e defasagem de mercado
Apesar da escalada nos preços internacionais, a Petrobras mantém uma postura de cautela. A presidência da estatal afirmou recentemente que a companhia busca amortecer a volatilidade externa para evitar repasses automáticos ao cidadão. A estratégia visa observar a sustentabilidade da alta antes de qualquer intervenção nas refinarias sob seu controle.
Entretanto, entidades como a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) alertam que a defasagem entre o preço interno e a paridade internacional está crescendo. Segundo a entidade, o diesel vendido pela estatal chegou a ficar mais barato que no exterior em uma margem considerável, o que pode gerar dificuldades de abastecimento caso a política de preços não acompanhe minimamente os custos globais de reposição a longo prazo.
Para o consumidor amazonense, resta o monitoramento atento dos preços e a busca por postos que ainda mantenham estoques adquiridos com valores antigos, embora a tendência de curto prazo aponte para a manutenção desses novos patamares elevados.


