Uma missão de saúde voltada a ampliar o acesso a atendimentos especializados na Amazônia conta com o apoio da companhia aérea Azul e envolve parceria com o Ministério da Saúde e o Hospital Israelita Albert Einstein. A iniciativa ocorre em São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas, e integra o Programa Agora Tem Especialistas, coordenado pelo governo federal.
A ação teve início em fevereiro e segue até o dia 8 de março, com foco no atendimento de populações indígenas e comunidades tradicionais que vivem em áreas remotas da região amazônica. A expectativa é ampliar o acesso a serviços de saúde especializados, reduzindo a necessidade de deslocamentos longos para tratamento médico.
Missão prevê cerca de 70 cirurgias e mais de 2 mil atendimentos
A operação conta também com o apoio da Força Aérea Brasileira (FAB). Ao longo da missão, estão previstos aproximadamente 70 procedimentos cirúrgicos e mais de dois mil atendimentos médicos.
Os serviços abrangem diversas especialidades, entre elas medicina de emergência, pediatria, ginecologia e obstetrícia, ortopedia e traumatologia, cirurgia geral, medicina de família, oftalmologia e radiologia.
Além das consultas e cirurgias, a missão oferece exames de ultrassonografia e testes laboratoriais. Parte das ações é voltada especialmente à saúde da mulher indígena, incluindo exames preventivos e orientações sobre planejamento familiar.
Segundo o secretário de Saúde Indígena do Ministério da Saúde, Weibe Tapeba, a iniciativa busca reduzir a demanda reprimida por atendimento especializado nas comunidades indígenas da região.
“A expectativa é reduzir significativamente a demanda reprimida de pacientes indígenas e contribuir para a melhoria do acesso à saúde especializada nas regiões de difícil acesso, minimizando o deslocamento dos pacientes de suas respectivas aldeias. Por isso, foi feito todo um planejamento para o acompanhamento no pré e no pós-operatório”, explicou.
Transporte de equipamentos e profissionais de saúde
Para viabilizar a operação, a Azul transportou mais de três toneladas de equipamentos hospitalares e medicamentos destinados à missão.
O trajeto foi realizado em duas etapas: inicialmente entre Campinas (SP) e Manaus, por meio da Azul Cargo Express. Em seguida, o transporte de Manaus até São Gabriel da Cachoeira contou com o apoio da Força Aérea Brasileira.
Além da logística de insumos médicos, a companhia também disponibilizou passagens aéreas para médicos e enfermeiros que participam da missão e permanecem na região durante o período de atendimento.
Parceria busca ampliar acesso à saúde em regiões remotas
Localizado no extremo noroeste do Amazonas, próximo às fronteiras com Colômbia e Venezuela, São Gabriel da Cachoeira é considerado o município mais indígena do Brasil. A característica reforça a importância de iniciativas voltadas à ampliação do acesso à saúde para essas populações.
A diretora da Azul Cargo, Izabel Reis, destacou o papel da logística em operações voltadas a regiões de difícil acesso.
“Acreditamos que a logística tem um papel fundamental na conexão de regiões remotas do Brasil com serviços essenciais. Participar de uma operação como essa, ao lado da FAB e do Einstein Hospital Israelita, reforça nosso compromisso de colocar nossa expertise operacional em prol de mais acesso dos brasileiros a iniciativas que impactam diretamente e melhoram a vida das pessoas”, afirmou.
O gerente de Sustentabilidade da Azul, Filipe Alvarez, ressaltou a importância da cooperação entre setores público e privado.
“Projetos como este mostram como a atuação conjunta entre iniciativa privada, setor público e instituições de referência pode transformar vidas. Apoiar e viabilizar o acesso à saúde em regiões historicamente vulneráveis está alinhado à nossa estratégia de sustentabilidade e ao compromisso de gerar impacto social positivo de forma estruturada e contínua”, disse.
Continuidade do atendimento e fortalecimento da rede local
O diretor de Responsabilidade Social e Filantropia do Hospital Israelita Albert Einstein, Felipe Piza, afirmou que missões em regiões remotas exigem planejamento e continuidade do cuidado após a ação inicial.
“Missões assistenciais em regiões remotas são complexas, exigem planejamento, respeito às especificidades culturais, parcerias multilaterais e continuidade do cuidado após o término da missão. Nosso objetivo é apoiar e fortalecer a rede local de saúde e contribuir para que essas comunidades tenham acesso mais frequente e qualificado aos serviços de saúde que necessitem”, afirmou.
Segundo ele, a iniciativa também prevê capacitação de profissionais locais, suporte por telessaúde e retorno periódico de equipes médicas.
“Para o Einstein, não é apenas um projeto, é uma ação genuína de manter viva a chama da filantropia e responsabilidade social tão intrinsicamente ligadas à essência da nossa organização”, completou.


