Aos 17 anos, o estudante Eric Bartunek lidera uma articulação internacional que resultou na doação de antenas da Starlink para levar acesso à internet a 140 escolas da Amazônia, muitas delas localizadas em comunidades ribeirinhas de difícil acesso. A iniciativa envolve a SpaceX, empresa de tecnologia aeroespacial dos Estados Unidos, e integra um projeto de inclusão digital voltado à educação pública na região.
A trajetória que levou ao projeto começou em 2022, quando Eric, então com 13 anos, participou de uma viagem a Sobral (CE) pela Fundação Lemann. O município é reconhecido nacionalmente pelos indicadores de qualidade no ensino público. Segundo o estudante, a experiência foi determinante para despertar o interesse em ampliar o acesso à educação de qualidade no Brasil.
Jovem de 17 anos e o impacto da educação pública de Sobral
Durante a visita ao município cearense, Eric observou que alunos da rede pública apresentavam nível de aprendizado semelhante ao de escolas particulares de São Paulo. A constatação reforçou a percepção de que políticas educacionais bem estruturadas podem reduzir desigualdades históricas no país.
“Foi ali que percebi o potencial transformador da educação pública quando há investimento, gestão e infraestrutura adequados”, afirmou o estudante em relatos sobre a experiência.
Estágio em ONG revela exclusão digital na Amazônia
O contato mais direto com os desafios educacionais da região amazônica ocorreu durante um estágio no Instituto PROA, organização do terceiro setor que capacita jovens de baixa renda para o mercado de trabalho. No período, Eric identificou que muitas escolas ribeirinhas só podem ser acessadas por barco e não dispõem de conexão à internet.
Diante desse cenário, o estudante passou a pesquisar alternativas viáveis para ampliar a conectividade. A análise indicou que a internet via satélite seria a solução mais eficaz, já que a fibra óptica não alcança grande parte dessas localidades.
Articulação com a SpaceX e a doação da Starlink
Inicialmente, a proposta era conectar um número reduzido de escolas por meio de recursos próprios e parcerias locais. No entanto, Eric decidiu ampliar o alcance do projeto e buscou contato direto com a SpaceX, responsável pela Starlink.
Após diversas tentativas sem retorno, o estudante conseguiu apresentar a proposta em uma reunião virtual de cerca de dez minutos com Gwynne Shotwell, presidente e diretora de operações da empresa, em janeiro de 2025. Durante o encontro, ele solicitou apoio para conectar dez escolas de um distrito amazônico.
A resposta superou as expectativas. Segundo Eric, a executiva informou que a SpaceX estava lançando o Starlink for Good, iniciativa filantrópica da companhia, e confirmou a doação de antenas para atender todas as 140 escolas previstas no projeto.
Primeiras instalações e impacto nas comunidades ribeirinhas
As primeiras antenas foram entregues em novembro de 2025, na comunidade de Barro Alto, no município de Manicoré (AM), localizado a cerca de 30 horas de barco de Manaus. De acordo com relatos, a instalação mobilizou a comunidade escolar e marcou o início do acesso regular à internet.
Com a conectividade, professores e alunos passaram a utilizar serviços públicos digitais, plataformas educacionais, ferramentas de gestão escolar, pesquisa online e recursos baseados em inteligência artificial.
Próxima etapa foca no uso pedagógico da tecnologia
A conclusão das instalações está prevista para meados de fevereiro. Paralelamente, o projeto entra em uma nova fase, voltada à capacitação de professores para o uso pedagógico da internet em sala de aula.
Essa etapa conta com o apoio do Ministério da Educação, da ONG MegaEdu, do Instituto Escolas Conectadas e do economista Martin Carnoy, professor da Universidade Stanford e especialista em políticas educacionais.
Planos futuros e outras iniciativas
Eric Bartunek conclui o ensino médio ainda este ano e pretende iniciar, no segundo semestre, a graduação em Economia e Educação em uma universidade dos Estados Unidos. Após a formação, ele afirma que deseja retornar ao Brasil para atuar em projetos educacionais e, eventualmente, no setor público.
Além do projeto na Amazônia, o estudante lidera o clube de investimentos de sua escola e participa do Juntos na Tech, iniciativa que, em parceria com o Unidos de Paraisópolis, oferece ensino de programação para jovens da periferia de São Paulo.


