Agricultores em Iranduba perdem plantações e estruturas com avanço das águas; governo anuncia medidas de apoio emergencial
A cheia do rio Solimões tem provocado prejuízos severos a produtores rurais no Amazonas, especialmente no município de Iranduba, na Região Metropolitana de Manaus. Desde outubro do ano passado, o nível do rio subiu quase 18 metros, inundando lavouras inteiras e comprometendo a subsistência de centenas de famílias.
Entre os mais afetados está o agricultor Cristiano Nogueira, que perdeu toda sua produção de feijão de corda e bananeiras. A casa onde vive resistiu por ter sido construída acima do nível do solo, mas a estrutura onde ele fabricava farinha foi completamente tomada pela água.
“Tudo que a gente planta aqui vai pro fundo. Quando a água vem, ela leva tudo”, relatou Cristiano.
Produção agrícola comprometida pela força da cheia
Outro agricultor, Raimundo Silva, também viu sua rotina mudar. Com o avanço das águas, a plantação de couve e pepino foi perdida. Apenas a mandioca pôde ser colhida antes da enchente. “O couve deu pra apanhar um pouco e o resto morreu”, contou Raimundo. A água chegou a encostar no piso da casa e ele precisou suspender fios da rede elétrica para manter o fornecimento de energia.
Já o produtor Adalberto Sampaio esperava colher oito toneladas de pepino, mas teve a plantação totalmente destruída. “Todo mundo dizia que seria uma enchente pequena, mas foi longe do que imaginávamos”, disse.
Segundo o Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Amazonas (Idam), cerca de 4 mil famílias de produtores foram diretamente impactadas pela cheia no estado.
Crise também afeta a pesca e a alimentação animal
A cheia também alterou a rotina da pescadora Euci Ferreira, que agora precisa cortar e carregar capim para alimentar os animais, já que os pastos estão debaixo d’água. “Quando dá para a gente comprar ração, a gente compra. Mas o jeito é esperar a água baixar”, disse.
Municípios em situação de emergência no Amazonas
De acordo com o boletim mais recente da Defesa Civil, divulgado na sexta-feira (11), 42 municípios do Amazonas estão em situação de emergência devido à cheia dos rios. Entre eles, Iranduba, Careiro da Várzea, Tefé, Coari, Anamã, Jutaí e Manacapuru. Além disso, 13 municípios estão em estado de alerta, um em atenção e seis seguem em normalidade.
Ações de apoio aos atingidos pela cheia
O Governo do Amazonas já enviou 580 toneladas em cestas básicas, 2.450 caixas d’água de 500 litros, 57 mil copos de água potável, 10 kits purificadores e uma Estação de Tratamento Móvel (Etam) para 18 municípios. Também foram distribuídos 72 kits de medicamentos para beneficiar mais de 35 mil pessoas.
Além disso, uma nova usina de oxigênio com capacidade de produzir 30 metros cúbicos por hora foi instalada em Manicoré. O município de Apuí recebeu seis cilindros de oxigênio para uso emergencial nos serviços de saúde locais.
*Com informações da Rede Amazônica