O fortalecimento da segurança pública nas calhas dos rios amazonenses ganhou um novo capítulo nesta sexta-feira (27/03). O Governo do Estado confirmou o posicionamento estratégico da Base Arpão 1 em Jutaí, cidade situada a 985 quilômetros da capital, Manaus. A unidade fluvial é o pilar central de uma operação integrada que une diversas forças policiais para sufocar as rotas do narcotráfico e combater crimes ambientais na região do Alto Solimões.
A iniciativa, coordenada pela Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM), faz parte do cronograma de substituições táticas do Programa Amazonas Mais Seguro. A nova estrutura assume o posto anteriormente ocupado pela Base Tiradentes, mantendo a vigilância ininterrupta em uma das áreas mais sensíveis para o escoamento de ilícitos no interior do estado.
Operação estratégica com a Base Arpão 1 em Jutaí
A logística de funcionamento da unidade é rigorosa. De acordo com o coronel Vinícius Almeida, secretário da SSP-AM, os agentes permanecem embarcados por 30 dias, garantindo que o policiamento não sofra interrupções. “Essas estruturas levam muita proteção para o nosso povo. Os resultados já chegaram em Jutaí, evitando que entorpecentes avancem pelos rios e combatendo a pirataria”, afirmou o secretário durante o anúncio.
O governador Wilson Lima destacou o impacto financeiro bilionário causado ao crime organizado desde a implementação desta política de bases flutuantes. Segundo o chefe do Executivo, o prejuízo acumulado já ultrapassa R$ 1 bilhão. O sucesso da estratégia reside no controle das rotas fluviais, onde o crime tenta se organizar, e na apreensão de carregamentos de alto valor agregado, como o skunk e a cocaína de alta pureza.
Integração das Forças de Segurança e Proteção Ambiental
O diferencial da Base Arpão 1 reside na multidisciplinaridade de sua equipe. O efetivo é composto por policiais militares do Comando de Policiamento Especializado (CPE), Batalhão Ambiental e da Companhia com Cães. Além da PMAM, a unidade abriga peritos criminais, bombeiros militares e delegados da Polícia Civil. Essa união permite uma resposta rápida tanto em flagrantes de tráfico quanto em perícias técnicas e salvamentos.
Além do combate às drogas, a base atua firmemente contra a biopirataria e a exploração ilegal de recursos naturais. Em Jutaí, a prefeita Mercedes Vargas expressou gratidão pelo reforço, mencionando que a presença policial traz alento aos pais de família e trabalhadores locais que dependem dos rios para sua subsistência e muitas vezes se veem ameaçados por criminosos.
Números expressivos no combate à criminalidade fluvial
A eficiência do modelo de bases flutuantes é sustentada por estatísticas robustas. Atualmente, o Amazonas conta com cinco unidades operando em pontos estratégicos: Coari, Barcelos, Codajás, Itacoatiara e, agora, Jutaí. Desde 2020, as ações resultaram na apreensão de mais de 31 toneladas de drogas e na retirada de circulação de centenas de armas de fogo e milhares de munições.
No campo ambiental, o saldo também é positivo. As bases já interceptaram mais de 131 quilos de pescado e carne de caça ilegal, além de volumes expressivos de minérios extraídos sem autorização. Para o delegado Paulo Mavignier, diretor do Departamento de Polícia do Interior, o compromisso é seguir fortalecendo essa barreira fluvial, garantindo que o valor agregado dos entorpecentes que circulam pela Amazônia seja revertido em prejuízo direto para as facções criminosas.


