domingo, janeiro 25, 2026
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    Lei nacional fortalece soberania do açaí e valoriza produtores amazônicos

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    O açaí, fruto nativo da Amazônia, passou a ser reconhecido oficialmente como fruta nacional brasileira a partir da Lei nº 15.330, de 2026. A medida fortalece a soberania do país sobre o produto e valoriza a cadeia produtiva amazônica. No Amazonas, mais de 17,5 mil agricultores familiares e extrativistas atuam diretamente na produção do fruto, com apoio do Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas (Idam).

    De acordo com o órgão, responsável pela Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater) pública, o estado alcançou a marca de 1,3 milhão de toneladas de açaí produzidas em 2024, consolidando-se como o segundo maior produtor do Brasil.

    Produção cresce 150% em seis anos no Amazonas

    Segundo o técnico agrícola e coordenador do Projeto Prioritário (PP) da Cadeia Produtiva do Açaí, do Idam, Nelildo Secundino, o Amazonas vive um período de expansão acelerada da cultura, impulsionado pela modernização produtiva.

    “O Amazonas passa por uma transição tecnológica, deixando o modelo puramente extrativista para um cultivo mais ordenado. Entre 2018 e 2024, a produção anual saltou de 550,8 mil para 1,3 milhão de toneladas, um crescimento de 150%, impulsionado pelo Projeto Prioritário”, destacou.

    Ainda conforme o técnico, a área plantada cresceu 173%, ultrapassando 11 mil hectares em 2024, refletindo o avanço da agricultura planejada e sustentável no estado.

    Codajás é referência e possui Indicação Geográfica

    No Amazonas, o município de Codajás é reconhecido como a capital do açaí, com produção certificada pelo Selo de Indicação Geográfica (IG), que também abrange os municípios de Anori e Coari.

    Em 2024, Codajás produziu 15,12 toneladas de açaí cultivado e 13,55 toneladas de açaí nativo, beneficiando diretamente 2.450 produtores rurais.

    Extensão rural impulsiona modernização da cadeia produtiva

    O trabalho de extensão rural realizado pelo Idam tem sido fundamental para a modernização da cadeia produtiva do açaí no Amazonas. Segundo Secundino, a presença técnica do instituto nos municípios garante melhores práticas agrícolas e aumento da produtividade.

    “A inclusão recente de Tefé e Anamã no Projeto Prioritário, nos anos de 2024 e 2025, indica que esses municípios devem apresentar as maiores taxas de crescimento nos próximos dois anos, com a implantação de novos viveiros e uso de mudas selecionadas”, afirmou.

    Projeto Prioritário transforma produção extrativista em modelo sustentável

    O Projeto Prioritário da Cadeia Produtiva do Açaí, coordenado pelo Idam, tem como objetivo transformar a produção extrativista em um modelo de negócio sustentável, produtivo e rentável. Atualmente, o projeto contempla 14 municípios: Codajás, Anori, Anamã, Benjamin Constant, Borba, Coari, Fonte Boa, Humaitá, Lábrea, Manicoré, Nova Olinda do Norte, Rio Preto da Eva, Tapauá e Tefé.

    O projeto atua em duas frentes: o açaí nativo (Euterpe precatoria) e o açaí cultivado (Euterpe oleracea e variedades).

    Açaí nativo preserva floresta e saber tradicional

    Segundo o coordenador, o açaí nativo, típico do Amazonas, apresenta maior teor de antocianinas, o que confere valor nutricional superior. O foco do Idam é o manejo sustentável, orientando comunidades ribeirinhas a melhorar a produtividade sem desmatamento.

    “O trabalho consiste em ensinar o ribeirinho a manejar os açaizais nativos, aumentando a entrada de luz e a produtividade, sem derrubar a floresta”, explicou Secundino.

    Cultivo irrigado do Açaí garante produção na entressafra

    Já no caso do açaí cultivado, o Idam atua na distribuição de sementes e mudas, fomentando uma atividade agrícola sustentável e economicamente viável. São utilizadas variedades como BRS Pará e BRS Pai d’Égua, conhecidas pela precocidade.

    “Com o uso de irrigação, como nas unidades instaladas em Codajás, Borba e Benjamin Constant, é possível colher na entressafra do açaí nativo, garantindo produção contínua e renda estável aos produtores”, concluiu o coordenador.

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