O combate ao garimpo ilegal no Amazonas atingiu um patamar histórico de descapitalização do crime organizado ao longo do último ano. Operações realizadas pela Polícia Federal (PF) resultaram na destruição de 375 estruturas utilizadas na extração irregular de minérios, provocando um prejuízo estimado em mais de R$ 1,4 bilhão aos infratores. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (12) e indicam uma mudança estratégica no enfrentamento aos crimes ambientais na região amazônica.
As ações ocorreram principalmente em rios federais, unidades de conservação e terras indígenas, incluindo áreas sensíveis habitadas por povos indígenas isolados. Segundo a PF, a atuação foi planejada para ir além da apreensão de equipamentos, com foco na desarticulação da logística operacional e financeira das organizações criminosas envolvidas.
Ofensiva financeira contra o garimpo ilegal no Amazonas
Além da destruição de dragas, balsas e outras estruturas usadas na mineração clandestina, as investigações avançaram sobre o fluxo financeiro do garimpo ilegal no Amazonas. A Justiça Federal determinou o bloqueio de mais de R$ 74 milhões em ativos, atingindo diretamente o núcleo responsável por financiar a exploração, promover a lavagem de dinheiro e viabilizar a comercialização do ouro extraído ilegalmente.
Durante as operações, agentes também identificaram um grave cenário humanitário. Trabalhadores foram resgatados de condições análogas à escravidão, evidenciando a relação direta entre a mineração ilegal, a violação de direitos humanos e a usurpação de bens da União.
Principais operações contra o garimpo ilegal no AM
O impacto financeiro bilionário é resultado de um conjunto de ações coordenadas ao longo do ano, realizadas em períodos estratégicos. Entre as principais operações estão:
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Operação Kampô (julho): Concentrada em áreas remotas da Amazônia, resultou na destruição de 16 dragas, reforçando a presença do Estado em regiões de difícil acesso.
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Operação Boiúna (setembro): De caráter ostensivo, teve como foco atingir a logística do garimpo ilegal em larga escala.
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Operações Fronteira Dourada e Hekurawetaris III (novembro): Intensificaram o cerco no final do ano, consolidando a estratégia de asfixia financeira das quadrilhas.
Segundo a Polícia Federal, a continuidade das operações e o monitoramento permanente das áreas atingidas são considerados essenciais para impedir a retomada das atividades ilegais e garantir a recuperação ambiental das áreas degradadas.


