Alunos da Costa do Marimba, em Careiro da Várzea, enfrentam riscos com alagamentos e falta de energia; município está em situação de emergência
A cheia do rio Solimões obrigou o fechamento da única escola da comunidade Costa do Marimba, na zona rural de Careiro da Várzea, interior do Amazonas. Cerca de 200 alunos, da creche à Educação de Jovens e Adultos (EJA), estão sem aulas presenciais desde o final de maio e passaram a acompanhar as atividades em casa, no formato remoto.
Com aproximadamente 19 mil habitantes, Careiro da Várzea é um dos 42 municípios do estado em situação de emergência por conta da subida das águas, segundo a Defesa Civil do Amazonas. A medição mais recente registra o rio com 16,56 metros, apenas 90 centímetros abaixo da cota recorde registrada em 2021, que foi de 17,46 metros.
Escola fechada e risco de afogamento
Além do fechamento da unidade de ensino, a quadra esportiva da escola está totalmente alagada, e as atividades de educação física estão suspensas por tempo indeterminado. O risco de afogamento preocupa os moradores. Um caso recente envolveu uma criança de 1 ano e 5 meses, neta do pescador Clodoaldo Brito Nunes, que caiu no rio e ficou submersa por cerca de cinco minutos antes de ser resgatada com vida.
Falta de energia agrava situação das famílias
Além dos alagamentos, a comunidade sofre com a falta constante de energia elétrica. Cerca de 200 famílias enfrentam dificuldades, especialmente aquelas que dependem de aparelhos médicos. A aposentada Raimunda Simão, de 87 anos, relatou que precisa de energia para realizar inalações diárias, mas tem sido prejudicada pelas interrupções frequentes no fornecimento.
O mesmo ocorre com a pescadora Raylla Suzianny, mãe do recém-nascido Theo. Sem ventilação adequada, ela precisa utilizar um motor gerador durante parte da noite para amenizar o calor e garantir o conforto do bebê.
De acordo com a concessionária Amazonas Energia, o problema é causado pela queda de postes de energia arrastados pela força da água, o que dificulta o acesso das equipes técnicas.
Municípios em emergência no Amazonas
Conforme o último boletim da Defesa Civil, 42 municípios do Amazonas estão oficialmente em situação de emergência devido à cheia dos rios. Outros 13 estão em estado de alerta e um em atenção. Seis permanecem em estado de normalidade.
Além de Careiro da Várzea, cidades como Manacapuru, Tefé, Jutaí, Coari, Itacoatiara, Novo Aripuanã e Anamã também enfrentam impactos severos causados pela cheia.
Educação afetada pela cheia em outros municípios
De acordo com a Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar (Seduc), 444 alunos em Anamã, Itacoatiara, Novo Aripuanã e Uarini foram diretamente afetados pela cheia. Eles seguem acompanhando as aulas pelo programa “Aula em Casa”, no modelo remoto.
Ações de apoio do Governo do Amazonas
Para enfrentar os efeitos da cheia, o Governo do Amazonas enviou 580 toneladas de cestas básicas, 2.450 caixas d’água de 500 litros, 57 mil copos de água potável e uma Estação de Tratamento Móvel (Etam) para atender 18 municípios. Também foram distribuídos kits purificadores de água e 72 kits de medicamentos para sete cidades, beneficiando mais de 35 mil pessoas.
Entre as ações específicas de saúde, o município de Manicoré recebeu uma nova usina de oxigênio, com capacidade de produzir 30 metros cúbicos por hora. Já Apuí foi contemplado com seis cilindros de oxigênio como reserva para o hospital local.
*Com informações do G1 Amazonas