quinta-feira, fevereiro 12, 2026
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    Aliados temem radicalização do governo se Mandetta for demitido

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    Interlocutores do presidente Jair Bolsonaro avaliam que o clima nos bastidores do governo será tenso nesta segunda-feira (30) diante do embate entre o chefe e seu ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta.

    A avaliação é a de que uma eventual saída de Mandetta do cargo poderá ter repercussões “imprevisíveis”. Do lado do ministro, aliados temem uma radicalização do governo Bolsonaro caso Luiz Mandetta seja demitido do posto.

    A saída do ministro, avaliam, poderia gerar uma reação de outros Poderes, como Legislativo e Judiciário, na tentativa de frear ações do Palácio do Planalto que coloquem a população em risco em meio ao combate ao coronavírus.

    Mandetta tem dito a seus aliados que a situação está cada vez mais complicada. Inicialmente, o ministro tentou contemporizar – evitando criticar Bolsonaro diretamente –, mantendo a orientação do chamado isolamento social horizontal definido por sua equipe, enquanto o presidente vai na outra direção.

    Em tensa reunião no último sábado (28) no Palácio da Alvorada, o ministro da Saúde deixou claro a Bolsonaro que não vai mudar a linha de orientação, mesmo que tenha que desautorizar publicamente o presidente da República.

    Assessores do presidente disseram que, em momentos de irritação, Bolsonaro não descarta demitir seu ministro da Saúde. Porém, o presidente sabe ser uma aposta de alto risco e de repercussão muito negativa.

    Mandetta não pretende pedir demissão. Diz que tem uma responsabilidade, como médico e técnico, com a população brasileira. Ou seja, só sai se for demitido pelo presidente da República.

    O cenário é preocupante, na visão das cúpulas do Congresso Nacional e do Judiciário. Ninguém acredita que o presidente baixe um decreto acabando com isolamento social, como ele chegou a dizer que estaria estudando no fim de semana. Tal medida iria contra a estratégia adotada até o momento pelo Ministério da Saúde.

    Porém, caso Bolsonaro chegue a esse extremo, líderes dizem que decisão seria derrubada pelo Congresso Nacional, como já aconteceu com outros decretos presidenciais. Aí seria uma decretação de guerra aberta entre Palácio do Planalto e Legislativo.

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    *Reportagem do G1

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