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    No ‘ano da pandemia’, cartórios registram 7,5 mil mortes a mais no AM

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    Entre março de 2020 e fevereiro de 2021, primeiro ano da pandemia no Brasil, os cartórios do Amazonas registraram 24.238 mortes em todo o estado, que representa aumento de 44,6% em relação ao período anterior, de março de 2019 a fevereiro de 2020, que alcançou 16.741 mortes, segundo a Arpen (Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais). A diferença é de 7,5 mil mortes a mais.

    De acordo com a Anoreg (Associação dos Notários e Registradores do Estado do Amazonas), na comparação com a média da série histórica das estatísticas do Registro Civil, que reúne dados desde de 2003, o crescimento de óbitos nos últimos 12 meses alcançou 86,7%. Segundo a instituição, nos anos anteriores, a média de crescimento ficava em torno de 3,5%.

    Para o presidente da Anoreg-AM, Marcelo Lima Filho, o aumento está relacionado à crise da saúde pública em razão da Covid-19, rede hospitalar à beira do colapso, aumento no número de mortes em domicílios em razão da falta de leitos ou do medo da ida aos hospitais e reflexos no crescimento dos falecimentos por doenças respiratórias e cardíacas aceleradas pelo vírus.

    “A Covid-19 ocasionou uma série de impactos na rotina da sociedade, principalmente na saúde pública, sendo que o Amazonas foi um dos estados mais atingidos do país. Trazer estas informações à sociedade, de forma transparente e em tempo real, é de importância vital para que os agentes públicos possam elaborar ações de combate à doença”, afirmou Lima Filho.

    Os dados estão disponíveis no Portal da Transparência do Registro Civil, abastecido em tempo real por registros de nascimentos, casamentos e óbitos nos Cartórios de Registro Civil do país, administrada pela Arpen, e cruzados com os dados históricos do estudo Estatísticas do Registro Civil, do IBGE, com base nos dados dos próprios cartórios.

    Brasil

    De acordo com a Arpen, o Brasil fechou o ano da pandemia com quase 1,5 milhão de mortos, número recorde desde o início da série histórica. No país, o período de março de 2020 a fevereiro de 2021 totalizou 1.498.910 mortes, um total de 355.455 falecimentos a mais do que a média dos mesmos períodos desde 2003.

    Em termos percentuais, significa um crescimento de 31% de óbitos em relação à média histórica, que sempre esteve na casa de 1,7%, totalizando 29,3 pontos percentuais a mais no período. Na comparação em relação ao exato ano anterior da pandemia, março de 2019 a fevereiro de 2020, o aumento foi de 13,7% no número de falecimentos.

    Fevereiro recordista

    O agravamento da pandemia no último mês fez de fevereiro de 2021 o mês mais mortal de sua própria série histórica no Amazonas, com um total de 3.698 óbitos registrados pelos cartórios no período, 2.685 mil óbitos a mais do que a média para o período. Na comparação com fevereiro de 2020, o crescimento foi de 209,7%.

    Em Manaus, a situação se repetiu e em fevereiro de 2021 teve um total de 3.081 óbitos registrados pelos cartórios no período, 2.360 óbitos a mais do que a média para o período. O número foi ainda 76,6% maior do que a média histórica dos meses de fevereiro desde 2003. Na comparação com fevereiro de 2020, o crescimento foi de 215,6%.

    De acordo com a Anoreg, o número de óbitos registrados nos meses de 2021 ainda pode vir a aumentar, assim como a variação da média anual e do período, uma vez que os prazos para registros chegam a prever um intervalo de até 15 dias entre o falecimento e o lançamento do registro no Portal da Transparência.

    Alguns estados brasileiros expandiram o prazo legal para comunicação de registros em razão da situação de emergência causada pela Covid-19.

    Leia mais:
    Queda nas internações e mortes em Manaus coincide com vacinação
    Média de mortes e casos confirmados de Covid-19 caem no AM
    “Transferir 1,5 mil pacientes é única forma de evitar mortes”

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