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    Justiça autoriza quebra de sigilo de Flávio Bolsonaro e Queiroz

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    A Justiça autorizou a quebra de sigilo no final de abril do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), o fato era mantido em sigilo até agora e foi divulgado pelo jornal ‘O Globo’. Além de Flávio também foi quebrado o sigilo do do ex-policial militar Fabrício Queiroz.

    Outros 88 ex-funcionários do gabinete também estão sendo investigados, assim como seus familiares e empresas relacionadas a eles. Entre eles também estão Danielle Nóbrega e Raimunda Magalhães, irmã e mãe do ex-PM Adriano Magalhães da Nóbrega, tido pelo Ministério Público do Rio como o homem-forte do Escritório do Crime, organização de milicianos suspeita de envolvimento no assassinato de Marielle Franco.

    O ex-policial, hoje foragido, é acusado há mais de uma década por envolvimento em homicídios. Adriano já foi homenageado por Flávio na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).

    Em segredo

    O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) autorizou a quebra de sigilo feita pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, autorizado em 24 de abril de 2019 e mantido em sigilo até este momento.

    Também terão suas informações bancárias averiguadas a esposa do senador, Fernanda Bolsonaro, a empresa de ambos, as duas filhas de Queiroz, Nathalia e Evelyn, e a esposa do ex-assessor, Marcia.

    A quebra de sigilo bancário foi autorizada no período que vai de janeiro de 2007 a dezembro de 2018. A Justiça também autorizou a quebra do sigilo fiscal dos investigados, entre 2008 e 2018.

    Negócios 

    A empresa MCA Participações e seus sócios também tiveram o direito ao sigilo afastado. O motivo foram os negócios imobiliários relâmpagos com Flávio. Segundo reportagem do jornal Folha de S. Paulo, a MCA comprou imóveis de Flávio apenas 45 dias depois de ele tê-los adquirido, o que proporcionou ao hoje senador ganhos de 260% com a venda.

    Ainda tiveram os sigilos afastados três empresários de origem americana, sendo dois deles domiciliados no exterior: Glenn Howard Dillard, Paul Daniel Maitino e Charles Anthony Eldering. Eles são donos de duas empresas ligadas ao ramo imobiliário: a Linear Enterprises, com sede no Andaraí, Zona Norte do Rio de Janeiro, e Realest, localizada no Centro da capital fluminense.

    Citada no processo, a empresa Bolsotini Chocolates e Café é uma junção dos sobrenomes de Flávio e do sócio Alexandre Ferreira Dias Santini, amigo do senador eleito. Nas eleições de 2018, Flávio declarou à Justiça Eleitoral possuir 50% da empresa, uma loja da franquia Kopenhagen que possui desde 2015.

    Rachadinha

    Há indícios de que houve no gabinete do então deputado estadual Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio (Alej) a chamada “rachadinha” — prática de servidores devolverem parte dos salários aos deputados. Em fevereiro deste ano, o próprio Queiroz confirmou, em depoimento por escrito, que servidores do gabinete de Flávio devolviam parte do salário e que esse dinheiro era usado para ampliar a rede de colaboradores junto à base eleitoral do então deputado. O hoje senador Flávio nega que a “rachadinha” tenha ocorrido em seu gabinete.

    Defesa

    Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, no domingo, o senador afirmou que a investigação do Ministério Público é “ilegal” e utilizada para atacar o seu pai . As apurações começaram no ano passado, quando um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontou que Queiroz havia movimentado R$ 1,2 milhão no período de um ano em condições suspeitas. Segundo o senador, a quebra dos sigilos fiscais e bancários dele e de Queiroz serve para “dar um verniz de legalidade naquilo que já está contaminado”.

    Eles querem requentar uma informação que conseguiram de forma ilegal, inconstitucional. Como viram a cagada que fizeram, agora querem requentar, dar um verniz de legalidade naquilo que já está contaminado e não tem mais jeito. Vejo que há grande intenção de alguns do Ministério Público de me sacanear — afirmou o senador.

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