Desmatamento segue alto na Amazônia em 2023

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De acordo com a WWF, os alertas de desmatamento nos quatros primeiros meses de 2023 caíram 38% em comparação ao mesmo período do ano anterior.
Área desmatada nos quatro primeiros meses do ano no bioma foi 38% menor que no mesmo período em 2023. Foto: Adriano Gambarini / WWF-Brasil

De acordo com a Fundação WWF, os alertas de desmatamento nos quatros primeiros meses de 2023 caíram 38% em comparação ao mesmo período do ano anterior. Em abril, a queda na área detectada de desmatamento foi de 64% em relação a abril de 2022, passando de 898 para 321 km², segundo dados do Sistema Deter e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpa).

Porém, a WWF afirma que ainda é cedo para saber se tal mudança será mantida durante todo o ano. “Recebemos os números de abril como sinal positivo, mas infelizmente ainda não podemos falar em tendência de queda de desmatamento na Amazônia. Os números estão num patamar muito alto e a temporada da seca, favorável ao desmatamento, não começou”, afirma Mariana Napolitano, gerente de Conservação do WWF-Brasil.

Desmatamento em 2022

Por dois anos consecutivos, o Amazonas é o segundo estado brasileiro que mais desmata seu bioma, com 274.184 mil hectares desflorestados, equivalente a 13,33%, em 2022. Um aumento de 37% em relação a 2021, no qual 200.467 mil hectares foram devastados. As informações são do Relatório Anual de Desmatamento no Brasil, realizado pelo MapBiomas e divulgado em junho deste ano.

Os dez municípios que mais desmataram no ano passado responderam por 21,8% do total do desflorestamento detectado no país, segundo o levantamento. Entre eles, estão as cidades amazonenses de Lábrea, em primeiro lugar no ranking, com 62.419,5 mil hectares devastados, e Apuí, em terceiro lugar, responsável por desmatar 61.036,4 mil hectares. O Amazonas tem oito cidades no ranking dos 50 municípios que mais desmataram em 2022.

Lista dos 10 municípios que mais desmataram de 2019 a 2022 no Brasil, área desmatada por
município, variação de 2021 para 2022 e média da área desmatada por dia por município. Fonte: MapBioma.

O relatório destaca que a Amazônia foi o tipo de bioma mais devastado durante o ano passado, com 99,8% de desmatamento da formação florestal. Além disso, a agropecuária respondeu por quase 96% de todos os desmatamentos analisados pelo MapBiomas Alerta em 2022.

A Amazônia também concentrou o maior número de eventos de desarborização em Unidades de Conservação em 2022 (125.422, 68%), o que corresponde a 6% da área total desmatada no país, conforme exposto no levantamento.

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Com informações da Gazeta da Amazônia*