Produção industrial cai e leva junto motos e eletros da ZFM

0
163
Em junho de 2022, a produção industrial nacional variou 0,4% negativo frente a maio deste ano. Em relação a junho de 2021, a indústria recuou 0,5%.
Foto: reprodução/Mundo do Marketing
Só os produtos da “linha branca” caíram 11,8%

Em junho de 2022, a produção industrial nacional variou 0,4% negativo frente a maio deste ano. Em relação a junho de 2021, a indústria recuou 0,5%.

Já no primeiro semestre do ano, a indústria acumula queda de 2,2% e em 12 meses, 2,8%.IBGE

Os dados da produção industrial brasileira foram divulgados nesta terça-feira (2) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Entre as contribuições negativas relevantes, segundo o instituto, estão segmentos do polo industrial de Manaus, como equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos.

Esses setores, com fatias significativas do faturamento da indústria da Zona Franca de Manaus (ZFM), tiveram redução de 2,8%.

No setor de bens de consumo duráveis, embora tenha avançado 2,3% neste junho, os principais impactos negativos vieram da menor produção de eletrodomésticos das linhas “branca” (-11,8%) e “marrom” (-9,2%).

Houve ainda recuos em motocicletas (-3,8%) e outros eletrodomésticos (-36,7%), segundo o IBGE.

Embora tenha revisado para cima as projeções de 2022 para a fabricação de motocicletas – perspectiva de produzir 1.320.000 unidades nas fábricas do polo industrial da ZFM, volume 10,5% superior à produção do ano passado – a Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares) confirma o recuo do setor.

Em junho, 101.695 motocicletas saíram das linhas de montagem, queda de 21,6% na comparação com maio (129.781 unidades) e de 3,6% em relação ao mesmo mês do ano passado (105.450 motocicletas).

“A retração já era esperada devido ao início das férias coletivas. As fábricas aproveitam essa parada para realizar as manutenções e os ajustes necessários em suas linhas de montagem”, disse o presidente da Abraciclo, Marcos Fermanian.

Tendência de alta

Por outro lado, o executivo também aponta os fatores pelos quais a associação elevou a expectativa de produção de motocicletas na ZFM.

“As unidades fabris retomaram o ritmo das linhas de montagem e registram crescimento sustentável durante o primeiro semestre. Somado a isso, temos um mercado com tendência de alta, com o avanço dos serviços de entrega (delivery), o maior uso da motocicleta nos deslocamentos urbanos, além do fator aumento dos preços dos combustíveis”.

Fatores de preocupação

Com a nova previsão, o segmento de motocicletas deve ficar próximo aos patamares alcançados em 2014. Naquele ano, foram produzidas 1.517.662 unidades.

“Mesmo com o aumento da expectativa de produção, seguimos atentos às diversas variáveis que poderão impactar negativamente o mercado, como a alta da inflação e o aumento da taxa de juros que reduzem bastante o poder aquisitivo da população. Além disso, estamos num ano eleitoral e, como acontece sistematicamente, isso gera muito estresse no mercado”.

Eletroeletrônicos

O setor de eletrônicos, conforme o IBGE, também teve perdas significativas no primeiro semestre de 2022.

De acordo com o presidente da Eletros (Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos), José Jorge Júnior, neste ano há uma retração de 24% em comparação com 2021.

“Devemos contabilizar nesses resultados atuais o cenário macroeconômico desafiador do momento, caracterizado por alta inflacionária, taxas de juros elevadas, variação cambial acima do desejável e elevado custo de produção”.

Segundo dados da Eletros, o segmento de ar-condicionado, entre janeiro a maio de 2022, teve retração de 36% principalmente pelo efeito climático La Niña (3,7 milhões).

Já os televisores, que tiveram alta aquisição no auge da pandemia – 4,65 milhões em 2020 – tiveram queda de 19% no primeiro semestre de 2022.

No entanto, há uma boa perspectiva de recuperação no segundo semestre por conta da Copa do Mundo do Qatar, black friday e Natal.

Linha branca e portátil

Os produtos da “linha branca” que são produzidos na ZFM – fogões, geladeiras e lavadoras de roupas – no acumulado até maio deste ano também teve retração de 24% em relação ao mesmo período de 2021.

“Segmento fortemente impactado pela pressão inflacionária, altas taxas de juros e elevado custo de produção”, disse José Júnior.

Da mesma forma, toda a linha portátil – secador de cabelo, chapinhas de cabelo e escova rotatória – que teve alto consumo de itens domésticos durante a pandemia, reduziu em 17% se comparado a 2021.

“Apesar desses números, a indústria nacional de eletroeletrônicos e eletrodomésticos continua acreditando no país, investindo para oferecer aos consumidores mais comodidade por meio de produtos inovadores, sustentáveis e acessíveis”, afirmou o dirigente da Eletros.

Leia mais:
Polo de informática da Zona Franca de Manaus pode sofrer novo golpe
ZFM: Wilson Lima anuncia que vai ingressar com nova ação no STF
Bolsonaro mente ao dizer que ZFM ficou fora do decreto do IPI

Mais informações.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui