Bolsonaro mente ao dizer que ZFM ficou fora do decreto do IPI

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Três dias após a edição do decreto que definiu a alíquota em 25% do Imposto sobre IPI, o presidente Jair Bolsonaro mentiu à reportagem da CNN
Foto: CNN/reprodução
Na quinta-feira, dia 14, o presidente publicou novo decreto que afeta a economia do Amazonas, tornando permanente a redução de 25% do IPI

Neste final de semana, três dias após a edição do decreto que definiu a alíquota em 25% do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), o presidente Jair Bolsonaro mentiu à reportagem da CNN dizendo que os produtos fabricados na Zona Franca de Manaus (ZFM) ficaram fora da medida.

“Foi um corte linear de 25% em todo o IPI, anunciamos mais um corte agora e deixamos de fora apenas os produtos fabricados na Zona Franca de Manaus. Eles não vão perder nada com isso. Os políticos locais, como o Omar Aziz (senador, PSD) e outros, que nunca fizeram pelo seu estado me criticam quando eu diminuo imposto. É impressionante”, criticou.

“Inclusive um deputado de lá vai entrar na Justiça contra o corte de 25% no IPI”, afirmou Bolsonaro, referindo-se ao vice-presidente da Câmara dos Deputados, Marcelo Ramos (PSD), que questiona o decreto do ponto de vista da legislação eleitoral.

Na quinta-feira (14), em edição extra do Diário Oficial da União, no fim do dia, o presidente publicou novo decreto mortal para a economia do Amazonas. Este torna permanente a redução de 25% do IPI, confirmando o ato de 25 de fevereiro.

A entrevista exclusiva ao repórter Renan Fiuza, na qual Bolsonaro falou sobre diversos assuntos, teve o trecho sobre o IPI em relação à Zona Franca de Manaus editado pelos bolsonaristas nas redes sociais.

“Políticos amazonenses como Omar Aziz e Marcelo Ramos continua (sic) espalhando boato no estado, dizendo que a redução de 25% do IPI em todo o Brasil, compromete a competitividade da Zona Franca de Manaus. Não caiam nessa mentira, amazonenses”, diz o perfil 100% patriota.

Ao tratar sobre a pandemia da covid (coronavírus), Bolsonaro voltou a mirar no senador Aziz criticando o projeto dele “que previa cadeia para médicos que receitasse algo para alguém fora da bula”.

Retirado de tramitação pelo próprio senador, o projeto não se refere aos termos usados pelo presidente, mas aos medicamentos sem comprovação científica.

Linhão 

Sem a confirmação do povo indígena Waimiri Atroari, o presidente também anunciou que já está autorizado a construção do Linhão de Manaus-Boa Vista para levar energia de Tucuruí a Roraima.

“Estamos agora fazendo o linhão de Manaus a Boa Vista. Você não podia por questões indígenas. Três anos de luta e conseguimos agora a autorização seguindo a OIT 169 (Convenção nº 169, da Organização Internacional do Trabalho)”, disse o presidente sobre a consulta prévia aos indígenas.

Disse que o governo está na iminência de começar a construir o linhão num curto espaço após a aprovação do projeto.

Também afirmou que a exploração do potássio em Autazes consta no “grande plano de fertilizantes” do seu goveno.

“Nós começamos no início do ano passado. Não foi com a crise da guerra na Ucrânia”, justificou.

Ele diz que o problema começou, em 1992, com os processos de demarcação de terras indígenas que inviabilizaram vários projetos na região. Bolsonaro diz que a demarcação é uma “indústria”.

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