Lula promete ministério a indígenas e revogaço de decretos de Bolsonaro

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Caso seja eleito, o ex-presidente Lula da Silva (PT) diz que vai criar um ministério para tratar das questões indígenas.
Foto: Richard Silva/ Divulgação
O ex-presidente esteve presente no 18º Acampamento Terra Livre, em Brasília

Caso seja eleito, o ex-presidente Lula da Silva (PT) diz que vai criar um ministério para tratar das questões indígenas.

“Vocês me deram uma ideia. Ora, se a gente criou o Ministério da Igualdade Racial, se a gente criou [o Ministério] dos Direitos Humanos, se a gente criou o Ministério da Pesca, por que a gente não pode criar um ministério para discutir as questões indígenas?”, disse o ex-presidente.

Ele esteve presente no 18º Acampamento Terra Livre (ATL), nesta terça-feira (12), no Espaço Funarte, na capital federal.

O evento, organizado pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), reúne lideranças de 200 povos das cinco regiões do país. Pelo local, passaram mais de 8 mil indígenas. Os organizadores entregaram uma carta compromisso para o pré-candidato.

Em defesa do novo ministério, Lula disse que não era possível governar o país apenas dentro de uma sala no Palácio do Planalto.

“Para fazer uma política para os povos indígenas, é preciso visitar territórios e aldeias. E vamos precisar de um ministério dos povos indígenas, chefiado por um indígena, não um branco como eu”, afirmou.

O ex-presidente também convidou as lideranças para junto com a sua equipe montarem um programa de governo para a área indígena.

“Os povos indígenas têm o direito de reivindicar o que acreditam e não podem ser alvo de violência isso. Esse país tem muita terra e não é necessário destruir territórios indígenas para garimpar ou plantar alimentos”, disse.

De acordo com o pré-candidato, ele vai voltar mais sábio, mais calmo e com mais experiência.

“E só tem uma razão para voltar: fazer mais e melhor pelo povo brasileiro”, disse.

Recepção

“Olê, olé, olê, olá! Lula, Lula lá!”, gritavam as lideranças na plenária lotada que, antes de Lula, ouviu diversos parlamentares e lideranças indígenas.

A deputada federal Joênia Wapichana (Rede-RR), a primeira mulher indígena a ocupar uma cadeira na Câmara dos Deputados, afirmou que os povos nunca tiveram tanto problemas quanto os último três anos de governo Bolsonaro.

Ela fez referência aos projetos de destruição que se encontram no Congresso como o chamado “PL do veneno” e o que permite mineração em terras indígenas.

Também destacou a luta contra a tese do marco temporal em discussão no Supremo Tribunal Federal (STF).

A deputada, que falou antes de Lula, puxou o coro: “demarcação já”, “fora garimpo” e “fora Bolsonaro”.

Joênia ainda destacou as denúncias feitas pelo povo yanomâmi sobre assassinato de crianças e estupro de mulheres.

O presidente recebeu um relatório no qual trazia todas as acusações de abusos contra os indígenas.

‘Dia do revogaço’

A parlamentar da Rede ainda sensibilizou o ex-presidente ao propor o “dia do revogaço” a fim de acabar com todos os decretos e portarias do governo Bolsonaro que prejudicam diretamente os povos indígenas.

“É preciso criar o Dia do Revogaço, e tudo que foi decreto criando empecilho [aos povos indígenas] terá que ser revogado imediatamente. A gente não pode permitir que aquilo que foi conquista da luta de vocês seja tirado por decreto para dar direito àqueles que acham que têm que acabar com a nossa floresta”, afirmou Lula.

O pré-candidato também destacou o discurso feito no local pela pré-candidata a deputada federal Sonia Guajajara, que vai disputar por São Paulo.
Ela falou em prol de maior representação dos indígenas nos espaços de poder. Para isso, anunciou que 30 lideranças do movimento irão disputar as eleições deste ano para a Câmara.

“Não é mais possível que haja um Congresso com 513 deputados e apenas uma mulher indígena. Nós não vamos permitir que o Brasil siga na mão de uma pessoa que não tem compromisso com indígenas, mulheres, jovens, LGBTQIA+, povos originários”, disse Guajajara.

Para ela, se no passado havia recusa em ocupar espaços, os indígenas agora querem assumir a presidência da Fundação Nacional do Índio (Funai), Secretária de Saúde Indígena (Sesai) e até ministérios.

“Nossas aldeias estão constantemente sendo invadidas com avanço ilegal do garimpo, dos madeireiros. Nossas casas de rezas estão sendo queimadas. Nossas crianças, violentadas. Precisamos interromper esse processo de destruição. É hora de construirmos outro projeto civilizatório, este baseado em democracia e não existe democracia sem a demarcação das terras indígenas”, afirmou.

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