Opinião: sem a arrogância de adversários, Arthur Neto não elege o próximo prefeito de Manaus

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Em tempos de pandemia, as eleições foram deixadas um pouco de lado. E com razão. Vidas são muito mais importantes. Ao menos, para boa parte das pessoas.

Para iniciarmos, devemos nos remeter as duas últimas eleições municipais, vencidas pelo atual prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto. Ao leitor, peço, ou melhor, torço para que esteja num dia sarcástico digno de Belarmino Lins e suas impagáveis ironias em sessões da ALEAM.

Ao final desse ano, Arthur Neto deixará de ocupar a cadeira de Prefeito de Manaus que ocupou nos últimos 7 anos e quase 5 meses. Ao longo desse período, passou por inúmeras turbulências. Quem não se lembra de episódios como a famosa “ovada” em Vanessa Grazziotin, ainda na campanha, supostamente oriunda de um cabo eleitoral de Arthur, ao adentrar os estúdios da TV Em Tempo, para um debate, em 2012 (bem verdade que o tiro saiu pela culatra para a candidata; nada se provou e o caso foi arquivado)? Ou, também, algumas de suas intermináveis disputas com os vendedores ambulantes (talvez seja algum incômodo ou ressentimento pessoal de Arthur, mas isso é apenas uma impressão de quem vos escreve, sem dados ou números)? Mais recentemente, temos o caso Flávio (alguém tem novidades?) e, ainda sem forçar muito a minha já deteriorada memória, a “parada” de ônibus da Ponta Negra que, reverenciando o seu idealizador, é o local que contempla a minha vista no momento que escrevo esse texto.

Pois bem, vamos nos atentar a manchete.

Será que depois de 8 anos Arthur conseguirá “fazer” o próximo prefeito de Manaus?

No ano de 2012, Arthur se elegeu no 2º turno com incríveis 603.483 votos, ou 65,95% dos votos. Além da suposta agressão que relatamos acima, outros pontos foram cruciais para a vitória do atual prefeito. Por mais que a esquerda já viesse fragilizada por escândalos de corrupção, nos bastidores, muito se comentou que a falta de humildade de Eron, marido de Vanessa, aliada à péssimas escolhas de seus marqueteiros, mudaram os rumos da disputa naquele ano. Comenta-se também que eram costumeiras explosões, berros e tapas na mesa do companheiro / correligionário / homem forte da campanha da candidata.

Nas eleições de 2016, quatro anos mais tarde, Arthur se elegeu com 581.777 votos, quase 56% dos votos. O agora atual prefeito desbancou o então postulante a renovação política do Amazonas – cargo esse que já pertenceu a políticos promissores como Hissa Abrahão – o advogado e atual Deputado Federal Marcelo Ramos. Para quem não se lembra, o “novo” já mostrava sérios indícios que chegaria forte na política nacional, confirmado exaustivamente nas eleições de 2018. Marcelo vinha forte nas pesquisas e o clima era de euforia, onde alguns políticos, dentre eles caciques, cantavam vitória, mostrando uma ingenuidade digna de admiração – ou não. Esse clima permaneceu até a fatídica última semana de campanha, onde novamente escolhas mal feitas, aliadas a certa arrogância do lado derrotado, decidiram os resultados das urnas naquele final de semana. Há quem diga (ótima forma de iniciar uma frase polêmica) que um outro fator determinante foi que, quem realmente teve dinheiro na época, conseguiu fazer.

No entanto, não se pode negar o brilhantismo de Arthur em saber explorar todas as fraquezas, ingenuidades e arrogância de seus adversários.

Terminaremos com uma frase de impacto, digna de uma matéria com um toque sensacionalista: há quem diga (novamente) que Arthur não venceu nenhuma das duas eleições, seus candidatos que perderam.

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