Coronavírus: detectados os primeiros casos de COVID-19 em indígenas

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Foto: Reprodução

Um indígena da tribo Marubo mostrou sinais de contaminação por coronavírus depois de entrar em contato com norte-americanos na cidade de Atalaia do Norte, localizada na fronteira entre Brasil, Peru e Colômbia.

O homem trabalhava como guia turístico e, segundo autoridades de saúde locais, ele foi instruído a se isolar em casa, que compartilha com outros 14 indígenas.  Duas de suas filhas, de nove e 12 anos, apresentam sintomas comuns ao Covid-19. Como a localidade não tem estrutura para testes, as amostras foram encaminhadas para Manaus, a 1.138 quilômetros de distância.

Segundo informações do site Monga Bay, a chegada do coronavírus a uma localidade tão afastada tem um componente ainda mais dramático: Atalaia do Norte é a cidade com o terceiro menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Brasil, e é a porta de entrada para o Território Indígena do Vale do Javari, abrangendo 8,5 milhões de hectares (32.818 milhas quadradas).

A reserva é uma das áreas indígenas mais importantes do Brasil e abriga 26 grupos indígenas, e também é a região com o maior número de povos indígenas isolados do mundo – pelo menos 16 dos 26 grupos do Vale Javari são povos que escolheram permanecer isolados.

E são esses grupos que estão no foco do grupo evangélico Ethnos360, anteriormente conhecido como Missão Novas Tribos. Desafiando a política de afastamento da Funai, eles adquiriram um helicóptero para converter as tribos indígenas ao cristianismo.

Além disso, o serviço de saúde brasileiro – já enfraquecido pelo governo Bolsonaro – terá grandes problemas para lidar com a questão. O serviço de saúde indígena é administrado pelos Distritos Sanitários Especiais de Saúde Indígena (DISEI), vinculados à Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI), parte do Ministério da Saúde.

Segundo Antenor Vaz, ex-funcionário da FUNAI e consultor de povos indígenas, esse serviço funcionou bem até o final de 2018, muito por conta do programa Mais Médicos, já que 301 dos 372 médicos que trabalhavam nas comunidades na época eram cubanos.

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