Infectologista explica o que é preciso saber com a chegada do coronavírus ao Brasil

0
5428
Médico infectologista explica que, com a chegada do coronavírus ao Brasil, a informação é a maior arma. (Foto: Acervo Pessoal)

O Portal Projeta entrevistou com exclusividade o médico infectologista Dr. Luiz Carlos Coelho, que também é pesquisador na área de doenças infecto-contagiosas. Ele falou sobre a confirmação do primeiro paciente com coronavírus no Brasil, vindo da Itália, disse que o país está preparado para enfrentar a doença e ressaltou que o mais importante neste momento é as pessoas estarem informadas.

Com chegada da doença ao Brasil, o que é importante o brasileiro saber?
A gente tem aí o primeiro caso confirmado, caso importado. A gente chama de caso importado alguém que nas últimas duas semanas tenha estado em um dos países da lista daqueles que tenha circulação do vírus. É fundamental que todo mundo entenda que a gente não tem, ainda, a circulação do vírus no país. O que a gente tem neste primeiro momento são casos importados, são pessoas que estiveram em países onde tem circulação de vírus, chegam no Brasil, e dentro de duas semanas apresentem tosse, dor de garganta, dor no corpo, mal estar e febre com desconforto respiratório. Daí, obviamente, essa pessoa passa a ser enquadrada num caso de suspeita de coronavírus. Então eles permanecem em isolamento em casa ou em uma estrutura hospitalar, definida por um plano de contingência de cada estado, e, a partir daí, os exames são feitos. Nós não temos circulação do coronavírus e para se pensar em coronavírus tem que ter um vínculo de ter viajado para os países onde está acontecendo o coronavírus ou de ter contato com pacientes que vieram e que tiveram problemas de saúde sintomático e respiratório.

Montagem: Cíntia Ferreira/Portal Projeta

Em sua opinião, o Brasil está preparado para enfrentar o coronavírus?
Sim, nós estamos preparados. A exemplo do que aconteceu em 2009, que a gente teve a entrada no H1N1 no Brasil. Naquele momento tivemos até um momento maior para se preparar, porque o vírus demorou um pouco mais para chegar. Então, foi montado todo um aparato, planos de contingência, uma rede não só de informações oficiais, como também de logística, de equipamentos de proteção individual, de insumos para o serviços de saúde, os protocolos estaduais e o protocolo nacional daquela pandemia do H1N1. Este exemplo é para mostrar que de lá para cá, nestes últimos dez anos, a gente vem tendo um enfrentamento de vírus respiratórios que acontecem ao longo de todo ano. Neste momento, o que a gente tem é um plano de contingência nacional, de enfrentamento do coronavírus, temos uma rede de atenção à saúde e protocolos que foram desenvolvidos desde o primeiro momento na atenção básica, nas Unidades Básicas de Saúde, até os serviços de alta complexidade. Então já tem uma estrutura de protocolo, de assistência, de manejo, de diagnóstico.

Os sintomas são muito parecidos com os de outras doenças. Como diferenciar?
Os sintomas realmente são tosse, febre, dor de garganta, mal estar. É um quadro respiratório inferior. É como se fosse uma pneumonia por vírus. E, evidentemente, ele fica muito semelhante a outras gripes, por influenza e tudo mais em termos de clínica. E os serviços de saúde, nos protocolos que se tem, têm parâmetros, seja por imagem radiológica, seja por exames de sangue, ou por esse vínculo epidemiológico nesse momento, de ter vindo de países onde está circulando o vírus, ou ter tido contato direto com alguém que veio desses países. Isso vai ser muito importante para o diagnóstico diferencial, que é para separar se trata de um resfriado ou gripe ou se trata do coronavírus.

Quais as principais medidas de proteção que devem ser adotadas neste momento?
O momento é de fortalecer as ações de entender e de mudança de comportamento, de higiene das mãos frequentemente com água e sabão. No local onde a gente não tem a água e o sabão disponíveis, usar o álcool gel frequentemente. Não tossir aparando com a mão. Ao tossir ou espirrar usar o cotovelo. Há uma necessidade de se repensar aglomeração de pessoas, proximidades. Nós estamos em um país onde todo mundo aperta a mão, abraça. E esse calor humano, essa proximidade entre as pessoas, num momento em que a gente tiver uma situação real de circulação, independente de qual vírus, isso amplia. A gente tem que identificar os sintomáticos respiratórios, independente de qual vírus ela tenha, a pessoa tem que entrar em contato com o serviço de saúde e buscar essa ajuda, esse diagnóstico.

Quais os públicos que correm maior risco com a chegada da doença?
O que a gente está percebendo, avaliando e acompanhando na estatística global destes países onde tem a circulação do vírus é que existe uma concentração de casos um pouco mais graves e de óbitos em idosos, a partir de 60, 65 anos em diante, principalmente próximo de 80 anos. Também, naquelas pessoas que já têm alguma comorbidade, são idosos e que têm, por exemplo, diabetes, imunocomprometimento, seja porquimioterapia, radioterapia ou HIV, independente de qual seja o motivo que faça com que o indivíduo esteja com a imunidade baixa, ele obviamente vai ficar mais vulnerável às complicações do vírus. Por sorte, a gente tem um número muito pequeno de casos em adultos e crianças e não há óbitos nestas estatísticas de crianças e adolescentes.

O fato é que a gente esta acompanhando e aprendendo sobre coronavírus ao mesmo tempo que está acontecendo a doença. É uma doença nova. A gente ainda precisa de um pouco mais de tempo para que se tenha desenvolvido uma medicação específica e uma vacina, que é algo que a gente não tem. E, ao mesmo tempo, a gente não sabe como vai se comportar essa pandemia a partir do momento em que um número maior de pacientes vão estar infectados e como vai ser a evolução destes casos. O que a gente tem neste momento é uma mortalidade por volta de 2%, que evoluem de forma desfavorável e óbito. mais importante é as pessoas estarem informadas neste momento. A informação é a grande arma. É fundamental que esta informação seja de fonte segura. As pessoas tem que evitar repassar para grupos de redes sociais posts e informações sem ter checado a veracidade. Sempre optar por fontes oficiais, porque são informações perenes. Numa doença nova, num momento novo como esse, cada dia a gente tem um dado a mais e acresce de informação.

Ouça a entrevista na íntegra:

Leia mais:
Manaus se prepara para possível enfrentamento ao coronavírus
Explicando: o que é o coronavírus, a misteriosa doença que tem assustado o mundo?

Por Cíntia Ferreira, do Portal Projeta

 

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui