Catarina e o empoderamento feminino no Rap manauara

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Yolanda Bento, do Portal Projeta – “Eu quero é que se dane, eu quero é que se dane esses falsos moralistas, parasitas, só enxame”. Essas são as letras de ‘Falsos Moralistas’, escritas por Catarina, que expressa a revolta que carrega no peito por meio da música.

“Nem sei muito o que falar, mana”, é a frase que revela a humildade de Catarina. Mas, no Rap desde os 21 anos, a cantora já acumula alguns prêmios na bagagem. Ganhou em 1º lugar a segunda edição de ‘Slam Na Praça’, e conquistou o 2º lugar no Festival de Hip-hop de Manaus.

Cantando sobre o empoderamento feminino e precaridade na favela, a jovem de 23 anos e moradora do Riacho Doce, na Cidade Nova, faz um resgaste por meio do seu som. Mas também, o que a faz pegar o microfone e aumentar a voz é a vontade de mostrar ao mundo o lugar em que vive.

“O que me fez querer cantar sobre isso foi onde eu vivo, foi a revolta que eu tenho dentro de mim desde sempre. Foi o desrespeito com as mulheres desde sempre. Foi toda essa injustiça que rola na sociedade”

Envolvimento no crime

“O Hip-hop foi o instrumento usado por Deus pra me tirar do crime”, revela Catarina durante a entrevista, ao contar sobre o seu início no universo do Rap.

“Eu sempre quis, sempre escrevi sobre, só que eu era envolvida no crime e não tinha muita moral pra falar de nada e nem tinha tempo pra isso…”

Catarina conta que só gravou a sua primeira música por incentivo de uma amiga. “Ela me deu maior incentivo quanto a isso… e eu resolvi correr atrás. Foi quando fui num estúdio pela primeira vez e a esposa do produtor tava lá e me viu cantar e disse q não me deixaria mais sair desse meio…”, relembra.

Desde esse dia Catarina nunca mais me separou do Hip-hop… Hoje, já tem seis músicas gravadas.

O passado de Catarina molda o seu futuro. Como ambição, a rapper quer usar sua influência na cena para resgatar a molecada do crime. “Mas, se tu fala de mim, quero ir pra São Paulo ano que vem pra tentar gerar por lá o que aqui é bem difícil”, continua.

Para ela, Manaus ainda não valoriza os artistas locais.

Empoderamento e consciência

Amor ao próximo, foi esse o maior ensinamento que o Rap proporcionou à Catarina. “Amor ao próximo, tudo o que eu vivo hoje quero passar e contribuir com meu próximo”, reflete.

Catarina se apresentando na Batalha da Praça na praça do Nova Cidade

O empoderamento e a consciência são sentimentos que Catarina espera que as pessoas sintam ao ouvir o som feito por ela.

“Se empoderem e tenham consciência, principalmente de comunidades carentes. Que a comunidade é muito esquecida, mas quero que tenham consciência de que somo e temos a voz. E precisamos usá-la”

Websérie

Catarina participou da websérie ‘Contos de Vida e Norte’onde falou sobre discurso de ódio em um Slam (poesia marginalizada). “Nunca imaginaria participar de uma web serie com tantos outros artistas em Manaus na cena do Rap”, diz a artista.

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