Desmatamento na Amazônia é equivalente a duas vezes a área de Belo Horizonte

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(Foto: Paulo Whitaker/Reuters)

O desmatamento na região amazônica atingiu, entre agosto de 2018 e junho deste ano, uma área total de 4.565 km². A área devastada é 15% superior ao volume verificado nos doze meses anteriores. Entre agosto de 2017 e junho de 2018, 3.975 km² de mata foram perdidas na Amazônia Legal.

Em junho deste ano, o desmatamento cresceu quase 60% em relação ao mesmo mês de 2018 – de 488,4 km² para 762,3 km² de mata nativa, o equivalente a duas vezes a área de Belo Horizonte.

As informações são do Sistema de Detecção do Desmatamento na Amazônia Legal em Tempo Real (Deter). Trata-se de uma ferramenta do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), órgão federal, usada para fiscalizar ações de desmatamento.

Entre ambientalistas, há apreensão quanto ao volume de devastação neste mês. Julho é marcado por um forte aumento de desmatamento na região.

Os dados do Deter ainda serão consolidados pelo balanço anual do governo, que fecha no fim deste mês, por meio de outro sistema, o Prodes, que filtra os dados e possíveis distorções causadas por nuvens, que podem prejudicar a apuração mais precisa das áreas atingidas.

Pontos críticos

O município de Altamira, no Pará, onde foi erguida a hidrelétrica de Belo Monte, segue no topo dos locais mais desmatados da Amazônia, com 234 km² de floresta perdida entre agosto do ano passado e junho de 2019.

Floresta Nacional do Jamanxim continua a ser o principal alvo (Foto: VINICIUS MENDONÇA/IBAMA)

A Floresta Nacional do Jamanxim, unidade de conservação que também fica no Pará, continua a ser o principal alvo do crime organizado que devasta a Amazônia em busca de madeira e grilagem de terras. Foram perdidos 85 km² de mata nativa no mesmo intervalo.

índices manipulados

O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), o general da reserva Augusto Heleno, afirmou que os índices de desmatamento na Amazônia são “manipulados”, ao ser questionado sobre a crescente preocupação internacional sobre a política ambiental do governo de Jair Bolsonaro.

Em entrevista à BBC News Brasil, ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), afirmou que Amazônia “é brasileira e quem tem que cuidar dela somos nós”. (Foto: Reuters)

“A Amazônia é brasileira e quem tem que cuidar dela somos nós. Esses índices de desmatamento são manipulados. Se você somar os porcentuais que já anunciaram até hoje de desmatamento na Amazônia, a Amazônia já seria um deserto. No entanto, nós temos muito mais da metade da Amazônia intocada. E os países que nos querem cobrar o comportamento que eles acham correto nunca seguiram esse comportamento. O maior preservador de ambiente do mundo é o Brasil”, disse Heleno à BBC News Brasil em entrevista por telefone.

O general da reserva não comentou especificamente a divulgação dos novos dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

*Com informações do Estadão e BBC News

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