Ribeirinhos do Rio Solimões aprimoram produção da famosa farinha Uarini

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(Fotos: Léo Lopes/Instituto Mamirauá.)

Agricultores familiares dos municípios de Tefé e Uarini vêm, há alguns anos, fazendo a própria farinha para vender seguindo um padrão de qualidade “digno de grandes fabricantes”.

Durante uma oficina realizada na comunidade de São Francisco do Bauana, na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Mamirauá mais de 20 produtores locais e indígenas da etnia Miranha aprenderam sobre boas práticas para melhorar a produção da farinha.

A oficina foi uma ação de parceria do Instituto Mamirauá e da Fundação Amazonas Sustentável (FAS), por meio do Edital Floresta em Pé, que tem recursos do Fundo Amazônia/BNDES.

Os ribeirinhos puderam aprimorar regras de higienização, armazenamento e transporte, além da legislação que envolve a produção, com participação da Fundação em Vigilância em Saúde (FVS).

Os indígenas da etnia Miranha contaram como ter mais eficiência na torra da farinha, reduzindo o consumo de lenha, além de técnicas para a redução do pó e aumento da velocidade de produção, a partir de técnicas desenvolvidas durante décadas. As dicas repassadas permitem uma farinha com qualidade diferenciada para o mercado, com grãos tipificados, crocância, além de segurança alimentar por adotar condições higiênicas de produção.

A oficina foi uma iniciativa da Associação de Produtores Agroextrativistas da Floresta Nacional de Tefé (APAFE), que tem por objetivo fornecer subsídios aos produtores rurais para a obtenção do selo Identidade Geográfica. Por meio dele, é possível reconhecer as áreas que fabricam a farinha de qualidade Uarini, popular no Amazonas.

O selo IG ganha importância porque atesta a qualidade do produto desde o momento do descascamento da mandioca até a etapa de torra sustentável da farinha. A APAFE tem o objetivo de fabricar pelo menos três tipos de farinha do uarini: a farinha filé, a farinha ovinha e a farinha ova, que podem até mudar de tamanho e crocância, mas não perdem o sabor característico do interior do Amazonas.

A nova estrutura das casas de farinha financiadas via Edital Floresta em Pé/FAS colaborou para a valorização dos produtos no mercado regional. E aumentou ainda a produção, já que o tempo de preparação no processo de fornada caiu de 50 min a 1h para 30 min.

Floresta em Pé

Em Tefé e Alvarães, quatro comunidades fazem parte do projeto desenvolvido pela APAFE: São Francisco do Bauana, São Francisco do Arraia, Tauary e Santo Antônio do Ipapucú. Os investimentos da FAS por meio deste projeto incluiu a construção de quatro casas de farinha com toda a estrutura higienizada, fornos de qualidade e materiais para prensa e preparo da massa da mandioca que será transformada em farinha.

Outros 16 projetos de renda sustentáveis estão contemplados no Edital Floresta em Pé, totalizando um investimento de R$ 2,5 milhões do Fundo Amazônia/BNDES.

Iniciado em 2017 pela FAS, o edital recebeu 181 inscrições, avaliadas por um comitê independente que selecionou os17  projetos aptos para receberem os aportes em torno de R$ 150 mil.

Os projetos estão chegando a um ano de vigência e após o investimento em infraestrutura passam a focar fortemente nos diversos processos produtivos que agregam e a trabalhar para o escoamento da produção.

*Com informações da assessoria de imprensa da Fundação Amazonas Sustentável (FAS). 

 

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