Dia de luta: centenas de mulheres marcham juntas pelo Centro de Manaus

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(Foto: Jamile Alves/Projeta)

A característica mais exclusiva do ser humano hoje, 8 de Março, modulou uníssona pelas gargantas de centenas de mulheres em marcha pelo Centro de Manaus. Das vozes doces, agudas, roucas e graves, de jovens a anciãs, fez-se coro um grito de luta, por respeito, igualdade e direito de ser.

O local escolhido para iniciar o protesto foi a Praça da Saudade que, sem querer, fez menção à falta que sentimos de vários “algos” que pouco temos. Entra na lista salários igualitários e andar de uma ponta a outra da rua sem medo de virar estatística, por exemplo.

(Foto: Jamile Alves/Projeta)

A Praça foi o ponto de encontro da marcha, que desceu a Avenida Epaminondas até a Praça do Congresso. O caminho até lá era florido graças aos dezenas de ambulantes que a cada semáforo disputavam a venda do presente mais habitual.

Mas as Joanas, Socorros e Marias que passavam por ali queriam mais que rosa vermelha. Queriam lembrar que, no dia a dia, o caminho por onde passa a mulher é bem menos colorido. Cá entre nós, nem é segredo, é tudo preto e branco.

(Foto: Jamile Alves/Projeta)

É tudo preto e branco quando 16 milhões é a população do Equador e também o número de mulheres que sofreram algum tipo de violência no Brasil em 2018. É tudo preto e branco quando acontecem no país de 822 a 1370 estupros por dia. É tudo preto e branco quando eu pego o caminho contrário de um jardim cheio de cor, por medo de nunca mais sair de lá.

Foi o preto do luto a memória carregada junto aos passos da Maria Cláudia Aleixo. “Eu estou aqui principalmente por todas as mulheres que já morreram esse ano por conta de feminicídio. Estamos morrendo muito mais e vir pra rua é extremamente necessário.”

(Foto: Jamile Alves/Projeta)

A ocupação de cada esquina da cidade foi reforçada na voz de Gabriela Malta. “É importante que a gente esteja na rua o tempo inteiro, não só no 8 de março, mas que a gente faça nossa voz ser tão ouvida quanto respeitada. É importante para mostrar que a gente não vai abaixar a cabeça, a gente está na luta todo o dia, o dia inteiro, sem parar.”

(Foto: Jamile Alves/Projeta)

Naquelas horas em que negras, índias e brancas das mais variadas idades, rotinas e corpos caminharam juntas no Centro de Manaus nada parecia como realmente é. Era colorido, feliz, respeitoso e tinham vozes ouvidas quarteirões a dentro. Vozes não, uma voz. E ela gritava alto como se pudesse falar o que não conseguiram suas ancestrais.

*Por Jamile Alves

 

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